A Anthropic enviou ao Congresso dos Estados Unidos, na última quarta-feira, uma série de recomendações sobre a regulamentação federal de inteligência artificial. A posição central da empresa é que o Congresso não deve bloquear leis estaduais sobre IA a menos que promulgue uma legislação federal “rigorosa” que trate explicitamente dos chamados riscos catastróficos da tecnologia. O comunicado foi divulgado enquanto a companhia se prepara para uma oferta pública inicial de ações, que deve figurar entre as mais relevantes do mercado americano nos últimos anos.
Entre as solicitações formalizadas pela Anthropic está a exigência de que empresas desenvolvedoras submetam seus modelos mais avançados a testes de segurança conduzidos por entidades independentes, sem vinculação com os próprios desenvolvedores. A medida, segundo a empresa, seria condição para que uma eventual lei federal pudesse justificar a suspensão de regulamentações estaduais já em vigor ou em tramitação.
O posicionamento da Anthropic reflete uma tensão real no debate regulatório americano. Vários estados avançaram com legislações próprias sobre IA nos últimos anos, enquanto o Congresso federal ainda não aprovou uma lei abrangente sobre o tema. Empresas do setor têm defendido a preempção federal, ou seja, a prevalência de uma norma nacional sobre as estaduais, como forma de reduzir a fragmentação regulatória. A Anthropic, ao condicionar esse apoio à existência de uma lei federal efetivamente rigorosa, adota uma posição mais cautelosa do que a média do setor em relação à regulação.
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A empresa também abordou o impacto da IA no mercado de trabalho, pedindo ao Congresso e aos governos estaduais que modernizem a infraestrutura tecnológica usada para processar e pagar benefícios de desemprego. Em sua avaliação, os sistemas atuais “não estão suficientemente preparados para um grande choque no mercado de trabalho”, cenário que pode se materializar à medida que a automação baseada em IA avança sobre funções antes exclusivamente humanas. O alerta coincide com dados de pesquisa: levantamento Reuters/Ipsos concluído na segunda-feira indica que metade dos americanos teme que o avanço da tecnologia possa deixar a eles ou a algum familiar sem emprego.
Para CIOs e executivos de tecnologia que acompanham o ambiente regulatório, o movimento da Anthropic tem pelo menos dois significados simultâneos. O primeiro é estratégico: a empresa posiciona a segurança como diferencial competitivo em um momento em que sua avaliação de mercado e seu IPO dependem da percepção de confiabilidade e responsabilidade institucional. O segundo é de mercado: ao pressionar por testes independentes obrigatórios, a Anthropic propõe um padrão que, se adotado, criaria barreiras de entrada relevantes para concorrentes menores e aumentaria os custos de conformidade para toda a indústria.
O debate sobre preempção federal versus autonomia estadual na regulação de IA deve se intensificar nos próximos meses, especialmente com a aproximação das listagens da Anthropic, da OpenAI e da SpaceX, que colocarão o setor sob escrutínio mais amplo de investidores, legisladores e reguladores.
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