Ameaças cibernéticas estão no centro dos negócios

A tecnologia avança e tem-se tornado cada vez mais essencial para os negócios. A transformação digital está em curso e mostra isso. Esse fato traz vantagens em termos de eficiência e digitalização, mas também ameaças cibernéticas para dentro das empresas, que impactam diretamente nos negócios.

Dado do relatório anual de cibersegurança de Cisco, anunciado nesta terça-feira (31/01), prova isso: mais de um terço das organizações que enfrentou brechas de segurança em 2016 teve perdas substanciais de clientes, oportunidades e receita de mais de 20%.

Se há uma década os ataques de malwares estavam em crescimento e traziam lucros aos hackers, hoje, criminosos têm o cibercrime como um negócio muito mais amplo, podendo ser realizado em qualquer lugar por qualquer pessoa. Ou seja, não é preciso uma estrutura e kits de invasão são facilmente encontrados.

Para Ghassan Dreibi, gerente de desenvolvimento de negócios de segurança da Cisco América Latina, os hackers – ou adversários, como a empresa prefere classificar – têm objetivos claros de obter lucro rápido, com ferramentas disponíveis no mercado. Isso traz um impacto corporativo, não só tecnológico. “Não é mais um hacker, mas sim uma organização. A motivação principal é dinheiro”, disse o executivo durante a apresentação dos resultados.

Os números da entrevista realizada com cerca de 3 mil diretoras de segurança e líderes de operações de 13 países mostram que 29% das empresas violadas perderam receita, com 38% desse grupo perdendo mais de 20%. A Cisco acredita que o problema está na forma como as ameaças estão sendo tratadas – ou não sendo. “Segurança não é mais algo opcional para as companhias. O risco de comprometer os negócios é grande, mas a maioria ainda continua olhando da forma como olhava segurança há 30 anos. Problemas do passado permanecem”, observou Dreibi.

Os hackers mostram conhecimento e dinamizam sua atuação , indo direto ao coração dos negócios das empresas: 34% das vulnerabilidades utilizadas são diretamente nos servidores das empresas, contra 20% na rede e apenas 8% em clientes (algo que era muito mais comum há alguns anos). “Eles são espertos e vão direto no servidor porque sabem que a raiz está ali.”

Para o executivo, a solução é entender o problema e buscar uma saída. Solução, no caso, pode não se tratar de um produto. “Às vezes a solução não é um produto, mas um treinamento ou uma mudança de prática. As empresas continuam focando em produtos e não em uma saída para a solução”, contou.

Cenário e obstáculos
“Até poucos anos atrás eram poucos clientes que perdiam dinheiro com segurança. Agora isso acontece todos os dias. E só depois que elas sofrem é que repensam segurança”. Com esse cenário detalhado por Dreibi, o foco da Cisco é no tempo de detecção para evitar que toda a empresa pare por conta de um ataque.

Outros dados do estudo mostram um dos motivos do cenário desafiador para encarar ameaças: apenas 44% dos alertas são investigados. Entre os 56% que sequer são investigados, 28% são legítimos – e, desses 28%, 54% não sofreram remediação. “A ameaça foi identificada, analisada e nada foi feito”, lamenta o executivo.

O principal obstáculo para uma atuação mais certeira em segurança é o orçamento: 35% dos executivos disseram que esse foi o principal motivo para um investimento ideal nesta área em 2016 – redução de verba de 4% em relação ao ano anterior. Outros pontos, como compatibilidade de soluções (28%) e falta de profissionais qualificados (25%), também foram citados.

Tudo conectado
O avanço da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) amplia o leque de ameaças. A Cisco estima que, até 2020, 66% do tráfego será mobile e os usuários irão consumir o dobro de velocidade – mais conexões e possibilidades de acesso.

“Carros conectados, por exemplo, criam uma nova possibilidade de entrar na cloud da fabricante. Quanto mais dispositivos conectados, maiores as ameaças”, concluiu.

Recent Posts

Web Summit Rio 2026: aquisição, GPUs fracionadas e meta de capacitar 3 milhões em IA marcam a semana

O Web Summit Rio 2026, realizado entre os dias 8 e 11 de junho no…

42 minutos ago

Skyone lança agentes de IA prontos para operar após identificar que clientes travavam na adoção

A Skyone anunciou na noite de quarta-feira, 10 de junho, o lançamento da Vertical AI,…

1 hora ago

Reckitt anuncia Humberto Moisés como novo diretor de TI&D para a América Latina

Nesta quarta-feira, 10 de junho, Humberto Moisés anunciou que assumiu o cargo de diretor de…

2 horas ago

Segurança de software na era da IA: o programador no centro da crise

por Carlos Cabral A antiga chefe de segurança cibernética do governo Obama, Jen Easterly, tem…

3 horas ago

Oracle supera projeções no trimestre, mas ações recuam com plano de captar mais US$ 40 bilhões para expansão em IA

A Oracle divulgou na última quarta-feira, 10, resultados acima das expectativas para o quarto trimestre…

3 horas ago

Propagandistas chineses usaram ChatGPT para gerar conteúdo contra tarifas de Trump e expansão de data centers nos EUA

A OpenAI divulgou na última quarta-feira um relatório revelando que propagandistas ligados à China utilizaram…

17 horas ago