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Alcatel-Lucent pode deixar redes móveis

O novo presidente-executivo da Alcatel-Lucent pode tentar resolver

os problemas e a erosão nos lucros da empresa deixando o segmento de

equipamentos para redes móveis que vem destruindo a lucratividade do

grupo desde a fusão de 2006, entre a francesa Alcatel e a americana

Lucent.

À medida que a recessão ataca as demais atividades de

crescimento da empresa, Bern Verwaayen pode se sentir tentado a sair de

um segmento que requer investimento elevado e não oferece perspectiva

de encomendas significativas antes de 2010, já que as operadoras de

telefonia móvel estão reduzindo seus investimentos.

Mas abandonar a divisão de redes celulares selaria o fracasso

da grande fusão transatlântica de US$ 34 bilhões que deixou o grupo com

valor de apenas US$ 5 bilhões, o que mal representa três vezes o

montante planejado em sinergias anuais que o negócio prometia gerar, de

acordo com os analistas.

As ações do grupo despencaram 66% durante este ano, depois de perderem 55% no último ano.

A empresa deve anunciar uma grande revisão estratégica em 12 de

dezembro, quando os investidores saberão como a terceira maior

fabricante mundial de equipamentos de telecomunicação planeja deter

seus prejuízos enquanto o mercado desaba ao seu redor.

“O setor móvel é pequeno demais, e eles provavelmente jamais

conseguirão ganhar dinheiro com essa atividade”, disse Pierre Ferragu,

analista da empresa de pesquisas Bernstein Research.

Para Thomas Langer, da West LB, a Alcatel-Lucent “pode deixar o

mercado móvel” e “se concentrar na área fixa: cabo para fibra óptica,

software e integração”.

Alexandre Peterc, do Exane BNP Paribas, discorda: “Ao contrário

de outros observadores, não antecipo que a Alcatel abra mão de suas

atividades no segmento móvel; isso seria suicídio.”

“Se eu fosse a France Telecom e tivesse um fornecedor de

equipamentos que não pode fornecer uma solução de ponta a ponta de rede

fixa e móvel eu nem sequer falaria com ele. Sair do setor celular

significa perder não só aqueles negócios como todos os negócios de

telefonia fixa”, acrescentou.

Caso a empresa mantenha a divisão, diversos analistas afirmaram

que Verwaayen precisa produzir um mapa claro que altere a aplicação de

verbas de pesquisa em tecnologia obsoleta como a CDMA a fim de

preservar recursos para bancar o padrão futuro, o LTE (Long Term

Evolution, ou evolução de longo prazo), em tempo para a recuperação

econômica.

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