AI tem futuro brilhante pela frente, mas com humanos no controle

A SAP está em meio a um processo de diversas integrações para sua plataforma cloud e migração para a última versão do software de gestão de negócios S/4Hana. A plataforma em nuvem, por exemplo, já conta com mais de mil aplicações, 600 parceiros e mais de 6,5 mil clientes. É um ambiente complexo e que tem trazido enormes desafios, mas para Hasso Plattner, cofundador da fabricante alemã e presidente do conselho de administração, a velocidade de desenvolvimento está sendo acelerada, o que facilita criação de extensões. Segundo ele, o principal foco precisa ser em UI design, a interação entre interface e usuário.

Mas o fato é que a fabricante alemã vive um momento de imersão total no mundo das tecnologias emergentes, como internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), analytics, blockchain e inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) – todas fazem parte de novas aplicações de “negócios inteligentes”, como transações inteligentes, analytics, colaboração e assistentes virtuais.

Para Plattner, no entanto, soluções de inteligência artificial não são perfeitas e, por isso, o comando precisa sempre estar nas mãos dos humanos. “Em um avião no piloto automático, o piloto fica ao lado. Pode voar sozinho, mas precisa de uma ajuda. Inteligência artificial não é perfeita, precisamos achar onde podemos confiar e onde precisamos fazer processos manualmente”, pondera o executivo, mas deixando claro seu entusiasmo e aprovação com esse tipo de tecnologia. “Seguiremos com esses processos de automação e pessoas serão treinadas para outras atividades”, afirmou, durante keynote no Sapphire Now, evento anual da SAP realizado em Orlando (EUA), nesta quarta-feira (17/05)

A grande aposta da companhia para avançar nestes tipos de tecnologia é a SAP Leonardo, que, segundo Plattner, não se trata de um sistema ou programa, mas sim de um novo estilo de aplicações. O ponto-chave que diferencia o que a SAP traz pra o mercado em relação a concorrentes é fazer tudo dentro do sistema. “AI existe há 25 anos, mas não com tanta velocidade e sempre fora do sistema. Agora conseguimos aplicar dentro do sistema e estamos trazemos inteligência para os negócios. Leonardo é a fundação dessas aplicações (IoT, machine learning etc).”

Plattner vislumbra um enorme potencial de crescimento considerando a quantidade de cases e projetos em andamento na SAP. “Podemos fazer coisas inacreditáveis com AI.”

Um exemplo demonstrado por ele é a solução de brand recognition, que, por meio de técnicas de AI, identifica marcas de empresas na televisão para contabilizar ações de marketing. Em um jogo de hockey, como o exemplo mostrado pelo executivo, o sistema identifica a marca das empresas em placas de publicidade e faz o cálculo do tempo de exposição das logomarcas – algo que leva um bom tempo para ser feito manualmente.”É uma solução muito importante para o marketing, mas sempre digo: UI é mais importante”, brinca Plattner, frisando novamente algo que faz questão de deixar claro: a importância de UI design para o desenvolvimento das soluções.

“Temos um futuro promissor pela frente (para AI), que depende de coleta de dados inteligentes e eu gostaria de ser parte disso”, finaliza.

*O jornalista viajou a Orlando (EUA) a convite da SAP

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