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Expansão da agricultura inteligente abre novas áreas para atuação

Para produzir um hambúrguer de 120 gramas, são necessários 15 400 litros de água. Um quilo de alface precisa de 273 litros, e um quilo de batata, 287 quilos. Um quilo de pão consome 1 600 litros de água (80% dos quais são utilizados na plantação do trigo). Um quilo de queijo representa outros 5 000 litros de água. Com base nestes números, dá para ter uma ideia do impacto ambiental de um cheese-salada. Avanços tecnológicos do século 20 – em maquinário, fertilizantes e meteorologia, entre outros – permitiram que a maior parte da humanidade abandonasse a vida nos campos e trouxeram consigo uma das maiores mudanças de estilo de vida da história da humanidade. Mas lidar com os desafios da mudança climática e do crescimento populacional significam que a inovação na agricultura não pode parar.

 

Tecnologias de ponta como inteligência artificial, internet das coisas e robótica costumam ser associadas às conveniências da vida urbana, mas elas também terão impacto decisivo na chamada “agricultura inteligente” ou “agricultura de precisão”. Até bem pouco tempo atrás, o setor agrícola estava em último lugar na adoção da tecnologia digital, de acordo com um levantamento de 2016 do McKinsey Global Institute. Mas isso está mudando, e rápido. No ano passado, as startups de agritech receberam 16,9 bilhões de dólares em investimentos, um salto de 43% em relação a 2017. Até mesmo fundos de renome, como o Bill e Melinda Gates, que pertence ao fundador da Microsoft, estão interessados em transformar a agricultura.

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A irlandesa Cainthus recebeu um investimento da gigante do processamento de grãos Cargill. A startup criou um sistema de reconhecimento facial de vacas – isso mesmo – para identificar comportamentos e consumo de ração, entre outras variáveis que podem influenciar a produção de carne e leite. O sistema identifica cada animal individualmente e envia um alerta para smartphone do fazendeiro caso haja sinais que indiquem doença. Ao longo do tempo, afirma a Cainthus, o sistema de machine learning aprende a maneira ótima de agendar a alimentação e o tempo que os animais passam confinados.

Até bem pouco tempo atrás, o setor agrícola estava em último lugar na adoção da tecnologia digital, de acordo com um levantamento de 2016 do McKinsey Global Institute. Mas isso está mudando, e rápido.

A análise de informações é essencial para a agricultura desde que o homem começou a plantar sementes na terra. Mas o desenvolvimento de sensores e robôs vai transformar para sempre essa tarefa, coletando dados mais precisos e com mais eficiência. O TerraSentia, um robô desenvolvido na Universidade de Illinois, com apoio do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos, foi inspirado no Mars Rover, o veículo autônomo enviado a Marte. A função do robô de quatro rodas é perambular pelo campo para identificar doenças e medir diversas características da plantação, como altura, folhagem e massa. A demanda por robôs específicos para a agricultura vai crescer 24% nos próximos cinco anos, segundo o instituto de pesquisas Transparency Market Research.

 

As redes celulares de quinta geração, ou 5G, também prometem ter impacto na agricultura. A nova tecnologia promete realizar o potencial de sensores usados na agricultura, graças a melhorias na velocidade de transmissão dos dados e na confiabilidade e baixa latência das redes. Em um projeto piloto realizado na província chinesa de Zhejiang, tomates são cultivados em uma estufa repleta de sensores de luz, temperatura e umidade. As medições são enviadas por redes 5G para uma central de controle remota. “As redes 4G travavam com frequência, e muitas vezes precisávamos esperar para fazer a análise dos números. Com a rede 5G, os resultados são imediatos”, disse Zhao Yu, responsável pelo projeto, ao jornal South China Morning Post.

 

A revolução tecnológica da agricultura acontece não só no campo. Considere a Plenty, startup do Vale do Silício fundada há cinco anos. A empresa desenvolveu um sistema de produção de verduras indoor que tem uma produtividade 350 vezes maior que os métodos tradicionais, usando apenas um centésimo da água.

A análise de informações é essencial para a agricultura desde que o homem começou a plantar sementes na terra. Mas o desenvolvimento de sensores e robôs vai transformar para sempre essa tarefa.

As “fazendas” da Plenty são verticais e atingem até 7 metros de altura. O espaço que era ocupado por uma planta agora recebe até 40 delas. Câmeras e sensores monitoram as plantas, e as informações são analisadas por softwares para ajustar a iluminação artificial, a irrigação, os nutrientes e a umidade do ambiente. Segundo a companhia, nesse ambiente controlado é possível minimizar o uso de pesticidas. A “colheita” e a embalagem são realizadas por robôs. A ideia da Plenty é vender para supermercados e também diretamente para os consumidores.

 

Um dos segmentos que têm chamado mais atenção – tanto por parte dos investidores quanto dos consumidores – são as “carnes que não são carnes”. Os hambúrgueres de empresas como Impossible Foods e Beyond Meat já entraram para o cardápio de várias redes de fast food, e até mesmo o McDonalds está fazendo um piloto no Canadá com um hambúrguer imitação. A startup israelense Redefine Meat, entretanto, leva a ideia ainda mais longe. A empresa quer fazer bifes indistinguíveis do produto real em termos visuais e de textura e sabor, usando a tecnologia de impressão 3D. Segundo o fundador da Redefine Meat, Eshchar Bem_Shitrit, engenheiros mecânicos e cientistas de alimentos trabalham lado a lado no laboratório da companhia. O produto ainda não está disponível comercialmente, mas as refeições do futuro prometem ser muito mais interessantes – e cheias de tecnologia.

 

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