Agressiva, HP aposta em convergência para retomar mercado
“Ao ataque! A HP está de volta! Estamos mais vivos do que nunca! Sabemos onde queremos chegar!”. Essas são algumas das máximas ouvidas não só em conversas de corredor durante o Discover 2014*, principal evento da fabricante americana, mas também pronunciadas com pequenas variações nos palcos pelos principais executivos da empresa. Alguns, inclusive, citando nominalmente os concorrentes (Cisco, IBM, EMC) e enumerando em power points coloridos e animados as razões pelos quais acreditam ser superiores.
Essa postura agressiva pode ser vista como uma reação à negatividade do mercado após os resultados apresentados pela empresa no mês passado, referentes ao segundo trimestre de 2014. As receitas caíram mais que o esperado (cerca de 1%) e culminaram em plano adicional de dispensa que, garante a empresa, será baseado em demissões voluntárias e adiantamento de aposentadorias – e deve atingir até 16 mil funcionários em todo o mundo.
Por outro lado, demonstra uma postura corporativa otimista quanto aos resultados futuros do plano de reestruturação da companhia, uma vez que também foi registrado lucro líquido positivo no período, com crescimento de 18%. Assim, a agressividade que a HP fez questão de mostrar não só para a mídia e para os analistas, mas também para os parceiros, demostra ainda uma empresa em busca de retomar o posicionamento de mercado perdido nos tempos de crise.
“E por que não? Temos produtos e tecnologia para isso”, defendeu Ricardo Brognoli, vice-presidente do Enterprise Group e principal executivo da HP no Brasil. É exatamente a mesma postura demonstrada pela CEO Meg Whitman, no palco da principal conferência do Discover. “Estamos no caminho certo”, disse a executiva, que assumiu o cargo em 2011 com a missão de levantar a companhia de uma longa crise. No ano em que a HP completa 75 aniversários, é hora de mostrar resultados. “Estamos colocando inovação em tudo que nós fazemos”, disse.
O motor desta inovação, segundo o vice-presidente e gerente geral do Enterprise Group da HP, Bill Veghte, é a infraestrutura – reiterando que o foco da HP deve continuar passando longe dos consumidores finais. “Nunca foi tão importante fazer mais com menos, reinventar e reimaginar o negócio hoje”, disse, e alfinetou: “Ao contrário de alguns dos nossos concorrentes nesta indústria, nós não estamos confusos.”
“Não se compra market share, aluga-se. Não vamos entrar no negócio de alugar market share, que não paga o salário de ninguém”, completa Brognoli, garantindo que PCs e impressoras não perderam importância na estratégia da companhia, só mudaram de foco: de salas de estar para escritórios. “Como companhia, é mais importante definir em que mercado você não quer atuar.”
Novo estilo de TI
Não é apenas marketing ou posicionamento de marca, embora também seja um pouco. Mas o “new style of IT” é também uma diretriz tecnológica, ou seja, os sistemas convergentes (Converged Systems) da companhia não são apenas uma oferta formatada em “uma caixa” especialmente construída para a necessidade de cada companhia, mas uma diretriz de desenvolvimento de novos produtos – dos mais convencionais aos mais inovadores – que serve de base para o plano de recuperação da empresa.
E isso significa, inclusive, não se desfazer de divisões do passado, como a de PCs e tablets, com objetivo de entregar soluções específicas e completas (ou “fim-a-fim”), apesar da pressão de tendências como a consumerização ou BYOD. Ou apostar em projetos tão inovadores como o “The Machine”, do HP Labs, que apesar do nome não muito original, busca não menos que reinventar a forma como é processada a informação em sistemas de informática.
Traduzindo, A Máquina da HP repensa os sistemas de modo que os núcleos de processamento especializados estejam conectados aos pools massivos de memória por meio da tecnologia Photonics, que usa luz pra transmitir dados, não circuitos. Forma-se assim “não um computador, não um tablet, não um smartphone”, mas sim um “sistema especializado para o tipo de workload que ele vai rodar”, explicou Martin Fink, vice-presidente executivo e CTO (Chief Technology Officer) da HP. “Não é um PC, servidor ou plataforma: é um continuum”, definiu Meg Whitman.
O hardware customizado aumenta exponencialmente a capacidade de processamento destes sistemas com menos energia. Um exemplo: a HP conseguiu, utilizando 8 racks com a nova arquitetura, colocar 160 giga-uptades por segundo (GUPS) consumindo 160 kW. No power point, a comparação com o Fujitsu K, que detém o recorde de 28,8 GUPS a 12.600 kW, é gritante.
Segundo Fink, a intensão é colocar os sistemas com a tecnologia no mercado até 2020, mas há uma série de obstáculos a serem vencidos. Um deles é a construção de um novo tipo de sistema operacional em código aberto que trabalhe com a nova arquitetura. A HP já está trabalhando com a comunidade de open source e parceiros para acelerar este desenvolvimento, facilitando a adoção futura.