Seriam os usuários do IE mais estúpidos? Ou menos inteligentes?
Semana passada um relatório divulgado por uma empresa denominada AptiQuant de Vancouver, Canada (498 Richards Street, Vancouver, BC V6B 2Z3, Tel. +1 (778) 242-69002) chegou a uma conclusão espantosa. Empregando a metodologia adiante descrita e estatisticamente inquestionável, cujos resultados são resumidos no gráfico abaixo também divulgado pela empresa, a AptiQuant avaliou o Quociente Intelectual dos usuários de diferentes programas navegadores.
Quem desejar pode obter o relatório completo em formato PDF clicando aqui. Quem estiver interessado apenas no resumo, basta prosseguir a leitura.
A conclusão indiscutível e apoiada em dados estatísticos obtidos de um considerável universo de pesquisa foi que os usuários do Internet Explorer são claramente menos inteligentes que os dos demais programas. E quanto mais antiga a versão, menor seu nível de QI. Ou seja, e recorrendo mais uma vez à linguagem popular: os usuários do IE6 são burros.
Segundo o relatório, os testes foram realizados em 2006 e repetidos em 2011 sem alteração significativa nos resultados.
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A AptiQuant divulgou que, para seus testes, adotou a seguinte metodologia: em duas diferentes ocasiões, 2006 e 2011, internautas de idioma inglês, residentes nos EUA, Nova Zelândia, Reino Unido, Canadá e Austrália foram atraídos por anúncios postados na rede que os convidavam a se inscrever voluntariamente em um teste gratuito de aptidão intelectual (QI, ou Quociente Intelectual). Aos que aceitaram foi fornecido um questionário cujas respostas, ainda segundo a AptiQuant, seriam mantidas em sigilo e cujo primeiro passo consistia em fornecer alguns dados pessoais, que incluíam a idade. Baseado nas respostas, os menores de dezesseis anos eram desviados para um segundo endereço onde o teste era realizado, porém seus resultados não eram computados na pesquisa. Aos remanescentes foi aplicado, via Internet, o respeitabilíssimo teste de QI “Wechsler Adult Intelligence Scale (IV) test” cujos resultados foram computados e submetidos a um tratamento estatístico que procurava correlacionar o índice alcançado com o navegador usado.
Ainda segundo a AptiQuant, o universo testado foi constituído de 101.326 usuários de língua inglesa maiores de 16 anos.
A Figura 2 mostra o gráfico dos resultados obtidos em 2006 (em azul) e 2011 (em vermelho).
A comparação dos resultados de 2006 com os de 2011 indica que houve uma migração de usuários do IE para outros navegadores e a interpretação dos resultados de 2011 mostra claramente que os que mudaram foram justamente aqueles de maior QI. O relatório afirma textualmente: “The comparison clearly suggests that more people on the higher side of IQ scale have moved away from Internet Explorer in the last 5 years” (A comparação sugere claramente que a maioria das pessoas cujo QI se situa próximo ao topo da escala se afastaram do IE nos últimos cinco anos). O que pode ser interpretado como: “as pessoas inteligentes que usavam o IE trocaram de programa navegador”.
Já os resultados de 2011 isolados evidenciam que os usuários de mais alto QI são os que dão preferência ao Opera, seguidos de perto pelos usuários do Camino (um programa navegador para Mac baseado no motor Gecko que roda no OS-X) e, surpreendentemente, pelos que usam o IE9, porém com o programa auxiliar (“plug-in“) Chrome Frame instalado (e que faz com que o IE9 se comporte de forma semelhante ao Google Chrome). Estes três grupos exibiam QI acima de 120.
Mais abaixo, numa faixa próxima do QI 110, vinham os usuários do Firefox, Chrome e Safari, em ordem crescente de QI. E, finalmente, com QI consistentemente abaixo de 100, os usuários do Internet Explorer separados por versão do programa. Ainda em ordem crescente de QI: IE6, IE7, IE9 e IE8.
Enquanto os usuários do IE8 exibiam um QI pouco abaixo de cem, os do IE6 registraram um QI da ordem de 81, ou seja, podem ser incluídos sem receio no grupo daqueles que correm o risco de lambuzar a testa quando tomam sorvete em casquinha. Os valores dos quocientes intelectuais deste último grupo sugerem a seguinte interpretação: “quem usa o IE é burro, e tão mais burro quanto mais antiga for a versão do IE”.
Ainda citando textualmente o relatório: “From the test results, it is a clear indication that individuals on the lower side of the IQ scale tend to resist a change/upgrade of their browsers.” (os resultados do teste indicam claramente que indivíduos na extremidade inferior da faixa de QI relutam diante da troca ou atualização de seus programas navegadores), querendo com isto dizer que as pessoas estúpidas que começaram a usar Windows com o IE6 instalado resistem a efetuar qualquer mudança, ainda que para uma nova versão do mesmo navegador. Mais adiante o relatório afirma que esta relutância em trocar de programa ou atualizar a versão exibida pelos usuários situados na faixa mais estúpida do espectro não tem a ver especificamente com o IE, mas se manifesta para qualquer software, o que pode ser interpretado como “os estúpidos resistem a mudanças provavelmente pela dificuldade que sentem em aprender coisas novas”. Porém acrescenta que esta afirmação ainda necessita de pesquisas adicionais antes de ser efetivamente confirmada.
Fechando o relatório (e, como se verá adiante, este é o ponto chave), vem a afirmação que esta relutância implica significativo prejuízo para os desenvolvedores de sítios. Textualmente: “Any IT company involved in web development will acknowledge the fact that millions of man hours are wasted each year to make otherwise perfectly functional websites work in Internet Explorer.” (Qualquer empresa envolvida no desenvolvimento web reconhecerá o fato de que milhões de homens hora são desperdiçados anualmente apenas para que sítios absolutamente funcionais em outros navegadores funcionem no IE).
Em suma: uma pesquisa de resultados devastadores. Que podem ser resumidas pelas frases já citadas e adiante repetidas:
Um conjunto de conclusões deste quilate não poderia deixar de atrair a atenção da mídia especializada.
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