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A web não vai morrer, viu Elis?

Não costumo ler Wired. Acho-a uma revista metida a besta, elitista, escrita para um público restrito que quer passar por usuário “cabeça” e do qual, desconfio, pelo menos metade não entende os artigos mais abstrusos (pronto, lá vem reclamação; para tentar diminuir o número e a ferocidade delas, admito liminarmente que, se você é leitor da Wired, o fato de ser também frequentador do ForumPCs é sinal seguro que certamente faz parte da outra metade; e, para quem está com preguiça de ir ao dicionário, “abstruso”, segundo o Houaiss, significa “difícil de compreender, intrincado, obscuro”).

Isto posto, dia destes estava eu na casa de meu irmão que me estendeu um exemplar da indigitada revista comentando que ali havia um artigo que certamente me interessaria. Era justamente o artigo de capa, assinado por Chris Anderson, com um título (propositalmente, presumo eu…) instigante: “The web is dead” (“A web morreu”). Dei uma rápida folheada, deixei para ler com calma em casa e pensei: “taí um assunto interessante para uma coluna”.

Entrementes, a Elis Monteiro também leu o artigo, pensou a mesma coisa e, mais rápida (e, sobretudo, mais esperta ? no bom sentido) do que eu, juntou o pensamento ao gesto. E há pouco mais de uma semana (em 27/08, para ser exato), publicou aqui mesmo sua coluna “A Web está morrendo?” (atentem para o ponto de interrogação no final do título) onde analisava o indigitado artigo. Coluna esta que, considerando meu interesse no tema, fui um dos primeiros a comentar.

O assunto deveria estar encerrado. Mesmo porque a coluna seguinte da Elis, “A morte da Web: choque de realidade“, versou sobre o mesmo tema e, supostamente, o teria esgotado.

O problema é que ambas as colunas, assim como meus comentários a elas, atraíram uma chusma de respostas tão disparatadas que me senti obrigado a voltar ao tema com alguns esclarecimentos. Não às colunas da Elis, por sinal muito boas, elucidativas e que “dão seu recado” sem grandes firulas, ao contrário das minhas. Mas alguns dos comentários foram tão estapafúrdios que, definitivamente, parece que o tema não foi bem compreendido. Ou, se foi compreendido, não foi absorvido por alguns leitores que, ao que tudo indica, gostam tanto da web que se sentiram pessoalmente ofendidos com a mera menção ao fato que um dia ela poderia morrer. E que confundiram interpretação de dados estatísticos com profecia.

Então, vamos lá. Primeiro, esclarecendo o que exatamente disse Chris Anderson em seu artigo.

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