Era julho de 1969. Enquanto Neil Armstrong estava prestes a fazer história e ser a primeira pessoa a pisar na lua, Yvonne Cagle, aos dez anos de idade, futura astronauta da Nasa, médica e professora-adjunta de medicina cardiovascular na Universidade Stanford, escondia-se na copa de uma árvore. Assim como Armstrong, ela realizava algo inédito para ela: ficou por três horas em cima da árvore, após ser desafiada na brincadeira de esconde-esconde. Foi seu recorde.
“Eu simplesmente queria encontrar um lugar, qualquer lugar, onde eu poderia sonhar”, lembrou ao falar para uma plateia lotada durante o RD Summit, realizado nesta semana em Florianópolis.
Em sua apresentação, Yvonne relatou que se maravilhou com o fato de o homem chegar à lua. O acontecimento foi tão emblemático para ela, que a levou a sempre procurar as alturas. “Quem pensaria que aquela pequena garota, que estava encontrando seu caminho no topo da árvore, ao mesmo tempo em que humanos encontraram seu caminho para a Lua, chegaria ao espaço”, refletiu, orgulhosa.
Sua jornada teve início como pesquisadora clínica aeroespacial da NASA. Sua missão é estudar o desempenho e resiliência humana no espaço, algo altamente desafiador. “Você está no espaço, está voando. Não pode cair e seu pé não toca no chão”, descreveu.
Apesar da conquista, ela quer ir além e estruturou uma missão em Marte. “Iremos à Marte e voltaremos à Lua.” De acordo com a astronauta, esse feito está muito próximo de acontecer. A estimativa é de que o homem volte ao solo lunar em 2024 e à Marte em menos de 20 anos.
Do espaço para a Terra
Yvonne contou que não só estudos sobre os planetas são feitos no espaço, mas essencialmente pesquisa sobre inovações tecnológicas e o efeito do corpo humano no espaço, além de como isso pode ajudar na recuperação física em Terra. “O espaço não é apenas um destino. É também uma plataforma de demonstração para teste e validação de uma série de tecnologias”, reforçou.
Wearables, ou dispositivos móveis, foi um dos exemplos citados por ela. Será possível, por exemplo, aferir a temperatura e identificar problemas no cérebro de forma não invasiva e rápida. “Assim como essa [inovação], podemos trazer para o planeta outras inovações do espaço”, refletiu.
Segundo ela, é no espaço que se pode construir nosso futuro. É lá que o corpo se recupera muito mais rapidamente. Mas é lá também que muitos riscos físicos podem acontecer e por isso todo cuidado é pouco.
“Você deve estar se perguntando por que enviamos humanos e não robôs ao espaço”, adiantou-se a astronauta. O que acontece é que serem humanos sabem aprender o tempo todo. Os humanos também são movidos por inspiração. “Pessoas se importam”, refletiu.
Nesse momento, ela encorajou os participantes do evento ao lembrar o quanto é difícil estar no espaço. “Mas isso não é para desencorajar. É para inspirar. Quando estamos diante de dificuldades, lembre-se como é Marte. A complexidade da sua tarefa acaba e até o impossível se torna provável”, finalizou.
*A jornalista viajou a Florianópolis a convite da RD
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