A
Copa do Mundo da Rússia chega dando show de tecnologia e o futebol,
paixão mundial, seguido por bilhões de pessoas em todo o mundo não
ficaria imune à transformação digital. Gols e pênaltis são marcados com apoio da VAR (“video assistant referee” ou “árbitro
assistente de vídeo”) e gols são confirmados no relógio inteligente do
árbitro.
O
VAR vem para apoiar os árbitros e reduzir erros durante os jogos. A
FIFA montou uma central de operações em Moscou, que recebe imagens
captadas por 33 câmeras, para ajudar os árbitros em momentos difíceis
das partidas.
Em
campo, além do árbitro de vídeo, é o relógio inteligente do
Juiz, que vibra toda vez que a bola passa totalmente a linha do gol.
Outra
inovação da FIFA é o Sistema Eletrônico de Performance e Rastreamento
(EPTS), um sistema que dará aos técnicos das 32 equipes acesso às
estatísticas de jogadores e filmagens em tempo real. Os assistentes têm
acesso a dados de posicionamento do jogador, passes, marcações,
velocidade e tackles.
Assim
como em outros segmentos, o uso intensivo de tecnologia pode gerar
desconforto e opiniões opostas. O fato é que a tecnologia vem precedida
de mudança de cultura. A construção de mindset digital é necessária para
que velhas crenças não atrasem o processo de transformação.
A
seleção Alemã, por exemplo, passa por um processo de transformação
digital onde os jogadores estão exigindo informação da equipe de
treinamento, assim o uso de inteligência artificial e aprendizado de
máquina desempenham um papel significativo e são uma parte essencial da
análise de dados. A análise de partidas não é novidade no futebol, mas
dar aos jogadores a flexibilidade de acessar informações a qualquer
momento é uma mudança na forma tradicional de preparação.
Observemos
o processo de transformação do Poder Judiciário, passada a primeira
fase de digitalização, hoje mais de 70% dos processos no Brasil já
ingressam de forma Eletrônica, o segmento entra em um momento
transformacional na cultura digital, pois os processos já estão
tramitando internamente de forma mais rápidas. Agora começam a investir
em tecnologias que apoiam no processo de decisão, para suportar os
magistrados em seus gabinetes.
No
transcurso digital do Judiciário o mito de que a tecnologia substituirá
o juiz já vem sendo desconstruído. O STF recentemente lançou o VICTOR,
sua primeira ferramenta de inteligência artificial. Ele foi desenvolvido
para “atuar em camadas de organização dos processos para aumentar a
eficiência e velocidade de avaliação judicial”. É importante lembrar a
afirmação do STF: “a máquina não decide, não julga, isso é atividade
humana”.
No
livro “Os Humanos Subestimados”, de Geoff Colvin, o autor lembra que em
uma situação tão importante quanto um julgamento, as pessoas não querem
decisões de um punhado de dados, elas querem ver e ouvir um ser humano
vivendo, sentido e julgando.
Na Copa, assim como no Poder Judiciário, o juiz de campo continuará sendo a
autoridade máxima. O papel da tecnologia não é substituir, mas
complementar e agilizar o processo de tomada de decisão, não devemos
competir com ela, mas desenvolver habilidades que vão além, centradas na
relação entre as pessoas, pois elas estão no centro de todas as
mudanças.
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