Um caminhão de lixo é um lugar improvável de encontrar um ótimo tablet Samsung.
Há quatro meses, a Waste Management abasteceu 20 caminhões com os dispositivos Samsung, que continham o software para rotas e instruções de coleta desenvolvido para tablets. A empresa estava testando se poderia economizar verba e melhorar o desempenho com tablets de consumidor, em vez de dispositivos robustos, desenvolvidos especialmente para a indústria para substituir processos de rotas baseados em papel.
Na noite anterior ao lançamento do projeto-piloto, a operadora de telecom da Waste Management enviou uma atualização para o sistema operacional Android Gingerbread, dos tablets. A mudança significava no sistema de recarga atual não iria mais funcionar com os tablets, e eles ficariam sem energia enquanto as equipes estivessem na rua.
Recuperada do golpe, hoje a Waste Management tem grandes expectativas para o projeto e vai decidir, ainda este ano, se usará ou não tablets em seus 20 mil caminhões.
A experiência da Waste Management é apenas um exemplo das difíceis lições que as empresas têm aprendido conforme adotam tablets Android e iPad, orientados a consumidor, e os utilizam de formas não planejadas por seus fabricantes. Os tablets têm aparecido em depósitos, hospitais, cabines e salas de diretoria. Estão tomando decisões de negócios e sendo testados em campos de batalha. A resposta direta mais simples para a tendência de “consumerização da TI” é que as empresas abraçando gadgets fáceis de usar e softwares tornarão as áreas de TI irrelevantes. Mas as primeiras experiências com tablets mostram que ainda é necessário o trabalho criativo da área de TI para fazer com que essas ferramentas façam o que as empresam precisam. Eis o que as empresa pioneiras estão aprendendo.
As pessoas precisam de conteúdo
Os vendedores geralmente são os primeiros a receber tablets cedidos pela empresa, por alguns motivos: eles precisam de mobilidade, eles mostram coisas aos clientes e precisam de acesso instantâneo.
Mas dar tablets com apenas e-mail não é tão diferente de smartphones. Nos casos mais simples, eles vão precisar criar apresentações de produtos e vídeos para demonstrar aos clientes, usando o tablet, e a TI vai ter de ajudá-los.
Holly Hunt, uma empresa de móveis, testou iPads com seus vendedores, que lidam com arquitetos e grandes empresas de design. “Descobrimos que o tablet não oferecia o que precisávamos”, disse Neil Goodrich, diretor de análise de negócios e tecnologia. A Holly Hunt tem centenas de fotografias lindas de seus projetos, mas as imagens não eram fáceis de serem exibidas no tablet – as pessoas tinham de criar um PowerPoint no laptop e o aplicativo de exibição não era ideal.
Por isso, o departamento de TI da empresa está desenvolvendo um aplicativo que aperfeiçoe as apresentações em tablets, embora os vendedores ainda precisem criar as apresentações em laptops.
A empresa de telecom Level 3 foi além na adoção de 1.300 iPads para vendedores. A empresa desenvolveu um aplicativo que permite que os funcionários criem apresentações utilizando apenas o iPad, com conteúdo padronizado, como descrições da empresa e de produtos, e customizando as apresentações com conteúdo único baseado em casa cliente. A TI desenvolveu, também, um aplicativo nativo que permite que os vendedores compilem dados de diversas fontes, incluindo dados de CRM do sistema da Salesforce.com e outros sistemas locais, e gerem cotas de preços.
A Blast Radius, empresa de marketing digital que fez trabalhos incríveis para a Starbucks e Nike, criou um aplicativo para um fabricante de perfumes para ajudar os agentes de vendas de lojas de departamento a guiarem os compradores às fragrâncias certas para eles. Agora, a Blast Radius está testando algo novo durante suas próprias apresentações: em vez de se levantar e mostrar slides PowerPoint para possíveis clientes, irão entregar iPads contendo as apresentações.
Vamos encarar os fatos, disse Gautam Lohia, VP executivo de tecnologias emergentes da Blast Radius, as pessoas olham para o smartphone enquanto você fala com elas. “Em vez de ficarem distraídas em seus smartphones, elas se distraem com nosso aplicativo”, disse ele. (A propósito, os iPads não são presente. A Blast Radius vai pedi-los de volta.)
O ponto principal é que o conteúdo para tablets precisa ser criado de acordo com um propósito – para sua empresa, para as necessidades específicas de um funcionário, e para o modelo do tablet.
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