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A Lua nasceu. Como?

O nascimento da Lua

Reparou bem? Precisa de ajuda? Pois aí está, na Figura 3, o retângulo vermelho para lhe servir de guia, esclarecendo a ilusão de Ponzo e deixando incontestavelmente claro aquilo que você já sabia: o bastão mais longo é o de baixo e o de cima apenas parecia mais longo devido ao efeito da perspectiva. Demonstrando que, conforme Ponzo tão bem percebeu há quase um século, a mente humana determina o tamanho de objetos comparando-os com o conteúdo do fundo que o cerca e que a Lua, na Figura 1, apenas parece desmesuradamente grande porque nós, inconscientemente, comparamos seu tamanho com o da árvore, o das colinas e de tudo o mais que está, aparentemente, em torno dela. E isso ocorre sempre que ela está baixa no horizonte, permitindo relacionar seu tamanho com o das coisas que descortinamos ao longe. Mas se você medir o ângulo de visão da Lua em qualquer posição no céu verá que é exatamente o mesmo, o que indica que ela não muda de tamanho quando cruza a esfera celeste.

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Mas, voltando ao nosso assunto: será que a Lua afeta o comportamento humano? Não sei. Mas sei que sua existência está indissoluvelmente ligada à própria sobrevivência da espécie.

O problema é que pouca gente sabe deste fato. Mas há quem se importe com ele. Ou não?

Senão, vejamos: alguma vez já lhe ocorreu a pergunta “E se a Lua não existisse?”

Pois se não a você, garanto que já ocorreu à muita gente. Se duvida, visite o Google, entre com “se a lua não existisse” (sem aspas) e espante-se com os mais de quatrocentos mil retornos. Mas quer se espantar mesmo? Pois apele para o inglês, entre com “what if there is no moon” e abasbaque-se com os quase duzentos milhões de retornos.

Isto posto, dito e assentado, eu me atrevo a lhe perguntar: e se a Lua não existisse?

Bem, houve época em que ela não existia mesmo. É verdade que já faz muito tempo, mas a Terra já pairou, soberana, no espaço sideral sem nada girando em torno dela.

Então, como foi que, de repente, a Lua apareceu?

Bem, este mistério intriga o homem já há muito tempo. A primeira hipótese conhecida for formulada pelo filósofo grego Anaxágoras de Clazômedas, quando postulou em 455 AC que a Lua havia sido gerada por uma imensa rocha, um pedaço da própria Terra, que se desprendeu e passou a girar em torno dela. Uma ideia que mais tarde foi considerada estapafúrdia, substituída pela noção de que a Lua sempre esteve nos céus, já que se tratava de um deus ou um círculo de fogo, dependendo do grau de ignorância da época (é curioso como o conhecimento ocidental passou por um período de trevas tão longo depois de ter sido iluminado pelas luzes do conhecimento da época áurea da cultura grega).

Foi somente a partir do início do século XVII, com o advento do Telescópio de Galileu, que por observação direta da superfície e das sombras projetadas sobre ela, se pode constatar que a Lua era um corpo celeste tridimensional, esférico, com seu relevo próprio, suas crateras e peculiaridades. Mas o grande gênio da física não especulou sobre suas origens (talvez porque havia tantos outros mundos ainda desconhecidos girando no espaço para atrair sua atenção).

Foi somente em 1873 que emergiu uma nova teoria sobre a origem da Lua, a “hipótese da coalescência”, postulada pelo astrônomo francês Édouard Roche. Segundo ele, Terra e Lua surgiram mais ou menos ao mesmo tempo pela condensação de anéis de gases que orbitavam o Sol e pela coalescência das partículas e objetos gerados por tal condensação. Segundo Roche, os demais planetas e seus satélites naturais foram gerados da mesma forma.

Esta teoria foi considerada uma hipótese plausível até que a nave Apollo 11 pousou no solo lunar em 1969 e pela primeira vez o homem pôde examinar amostras daquele solo, os regolitos lunares. E constatou que eram notavelmente diferentes dos obtidos no solo da Terra, diferindo principalmente pelo conteúdo de ferro, muito mais baixo lá do que cá. Se Lua e Terra fossem formadas pela mesma matéria prima, como afirmava Roche, isto não poderia ocorrer.

Em 1878 foi a vez de George Darwin, filho do genial Charles Darwin, formular sua “teoria da fissão” para justificar a formação da Lua. George havia se tornado um respeitado especialista no estudo das marés e, examinando registros de maré ao longo dos anos, concluiu que a Lua vinha aos poucos se afastando da Terra (o que é verdade, como veremos).

Para imaginar as origens da Lua ele simplesmente reverteu o processo, verificando o que teria ocorrido no passado remoto, quando a lua estava mais próxima da terra. E a física demonstrava que quanto mais próximos os corpos estivessem, mais rapidamente ambos girariam. O que o levou a crer que há bilhões de anos, pouco depois da formação da terra, a rotação seria tão rápida que a força centrífuga teria feito com que uma parte da Terra, ainda em forma de lava líquida, se desprendesse dela e formasse a Lua, que pouco a pouco foi se afastando ? como continua a fazer até hoje.

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Era uma teoria plausível, não muito diferente da de Anaxágoras, mas que, mesmo antes que as análises das amostras do terreno lunar a derrubasse de vez, foi refutada por cálculos matemáticos: para que ela fosse verdadeira a rotação da Terra teria que ter sido tão rápida na fase de formação da Lua que seria incompatível com o movimento relativo hoje estabelecido entre os dois corpos celestes.

Em 1909 o comandante da marinha americana e astrônomo Thomas Jefferson Jackson formulou a “teoria da captura”. Segundo ele, a Lua nada mais era que um corpo celeste que vagava pelo espaço sideral até passar tão perto da Terra que, depois de ter seu movimento desacelerado por certo “meio resistente” que, segundo Jackson, preencheria o espaço sideral, acabou capturado por sua força gravitacional e foi forçado a permanecer girando em torno dela. Uma teoria que poderia explicar as diferenças na composição dos materiais de que são feitos os dois corpos, mas se baseava na existência do “meio resistente”, alguma coisa ? talvez formada por partículas vagando neste espaço ? que oferecesse resistência ao movimento de um corpo celeste e o desacelerasse. Foi derrubada pela comprovação da inexistência deste meio.

Não obstante tudo isto, as três teorias ? da coalescência, da fissão e da captura ? conviveram até recentemente.

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