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“A internet não é eterna ou imutável. Precisamos mudá-la”, provoca Ethan Zuckerman

Vinte anos depois da criação da internet comercial no mundo, estamos felizes com a evolução da web? Ethan Zuckerman, diretor do Center for Civic Media do MIT, abriu o IT Forum Expo/Black Hat 2014, realizado nos dias 25 e 26 de novembro em São Paulo, com a pergunta polêmica e lembrou que embora a internet possa mudar o mundo e incentivar transformações políticas e sociais, pouco tem sido feito nesse sentido. “Precisamos usar a web para obter uma sociedade melhor e agora é a hora certa para nos comprometermos com grandes ideias”, desafiou.
Zuckerman apontou que desde o nascimento da web há muito o que celebrar. “A Wikipedia chegou para unir pessoas e construir uma internet colaborativa. Ontem mesmo lecionei de São Paulo uma aula para meus alunos do MIT, nos Estados Unidos, via Skype”, exemplificou. Contudo, completa o acadêmico, temos de olhar também para o que não deu certo e mudar, fazer melhor.
O lado ruim, diz, inclui a vigilância empregada pelo governo dos Estados Unidos, que está monitorando constantemente a internet e nações, fato recentemente exposto por Edward Snowden, que publicou documentos comprovando a movimentação. “É embaraçoso e vergonhoso os EUA monitorarem a web”, recriminou.
O diretor do MIT, que acompanhou de perto a evolução do world wide web e esteve por trás da tripod.com, uma das primeiras empresas on-line de sucesso, além de ter sido o criador das famosas pop-ups, afirma que acredita ainda que a internet poderia ser um melhor lugar para debate, mas está isolando as pessoas. “Ela não é internacional o suficiente, não conectou as pessoas da forma esperada, é muito comercial e não é aberta”, detalhou.
Segundo ele, o Brasil não pode reconstruir a internet dos Estados Unidos ou manter-se na zona de conforto e se contentar com uma internet “boa o suficiente”. É preciso ir além, já que as grandes empresas com DNA na web não têm, de acordo com Zuckerman, o interesse de mudar a internet da forma como ela é hoje. “O Brasil mostra para diversas nações como elas podem ser mais participativas e construir relações com base em colaboração pela internet. Podemos aprender muito com vocês. Ainda há tempo”, destacou.

Como exemplo, ele citou algumas iniciativas bem-sucedidas conduzidas por meio da internet em solo nacional e que podem ser replicadas ou conduzidas em outros países. Uma delas é o Marco Civil da Internet. “Para o resto do mundo é um bom exemplo de como fazer diferente, como envolver as pessoas, já que ele foi totalmente colaborativo construído com a ajuda da sociedade.” Outro exemplo é o Programa de Metas do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que estabelece ações de governo compartilhadas e acompanhadas na web.
Zuckerman relatou ainda o caso do catador de lixo de São Paulo Mundano. O ativista se inspirou no programa da MTV Pimp My Ride (algo como ‘turbine’ meu carro, em português) para promover o Pimp My Caroça. Ele pediu ajuda pela web e conseguiu angariar mais de R$ 45 mil em recursos. “Essa é uma das formas de mudar, usando a tecnologia como meio para colaborar”, observou. Recentemente ainda, em junho de 2013, o movimento popular que levou milhares de brasileiros às ruas pedindo por mudanças teve início nas redes sociais.
É por esses e outros exemplos que Zuckerman acredita que o Brasil ocupa lugar de destaque na mudança por uma internet melhor, que conecta mais pessoas e luta por seus ideais. “Estou animado pelo o que Brasil tem feito nos últimos anos”, finalizou.

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