A Importância da logística na distribuição de TI

*Por Vladimir França

Quando se fala em distribuição de TI, vem logo à mente de todos os que nela estão inseridos o tipo de negócio ao qual está relacionada. Como é sabido, distribuição de TI é um negócio eminentemente financeiro e logístico.

Sobre o aspecto financeiro, já tivemos a oportunidade de escrever, há alguns meses, um artigo no qual tratamos do Ciclo de Conversão de Caixa. Hoje vamos falar um pouco da parte logística na distribuição de TI.

Logística é uma função importante nos dias de hoje e para qualquer tipo de negócio. Nenhum negócio terá sucesso sem suporte logístico. Logística pode ser um termo novo, mas não a operação logística em si.  A logística tem existido desde o início da civilização. Embora em pequena escala, todos os materiais tinham que ser movimentados. Porém, a partir do aumento das distâncias geográficas entre quem comercializa/produz e quem consome, das leis de livre mercado, da concorrência e, mais recentemente, da globalização, a logística tornou-se parte fundamental das organizações.

A logística em si não pode ser considerada apenas uma mera manipulação de produtos ou mercadorias. Ela é muito mais do que isso. Ela envolve diferentes funções que vão desde o planejamento, a compra, a armazenagem, a gestão do inventário, o gerenciamento do pedido de venda, a embalagem, o transporte, a segurança, o fluxo de informações etc.

Pode-se então afirmar que a logística é a entrega dos produtos adquiridos, no local estipulado, num tempo apropriado, para a empresa certa, no Estado no qual a empresa está localizada, com a máxima eficiência e no menor custo possível.

Principalmente na distribuição de TI, a grande maioria das empresas possui sistemas automáticos de informação que lhes permitem ser bastante eficientes. Possuem sistemas que alertam para a compra/reposição de estoque de produtos, controle de data de chegada (ETA) dos pedidos colocados, sistemas de faturamento que permitem visualizar estoques em diferentes locais, sistemas que calculam preços para diferentes estados, sistemas automáticos de localização interna dos produtos e baixa de estoques (WMS), sistemas para acompanhar os produtos até a chegada ao destino final etc.. Enfim, as empresas do ponto de vista logístico, estão mais do que preparadas para atender com agilidade seus clientes.

No entanto, apesar de todo esse avanço tecnológico e do permanente investimento que essas empresas fazem para maximizar os seus resultados, aqui no Brasil, elas ainda sofrem muito mais do que em outros países.

Primeiro em função da extensão territorial do País, pois essas empresas têm que entregar seus produtos em todo o território nacional. Isso acaba encarecendo o custo final dos produtos em função do custo do frete.  O frete, por sua vez, é alto não só em função da extensão territorial, mas, principalmente, da pobre e precária infraestrutura rodoviária, ferroviária e aérea brasileira.

Quando as empresas tentam aumentar ou mesmo manter a sua competitividade e reduzir os seus custos, não só de transporte, mas também de operação, decidem deslocar as suas operações para outros estados (melhorar a sua logística), enfrentam um problema sobejamente conhecido de todos, ou seja, a intrincada e complicada questão tributária. São 27 estados com legislações tributárias diferentes e a substituição tributária para o setor é tratada diferentemente em cada estado, é a guerra fiscal entre estados em função da concessão de benefícios fiscais para as empresas, isso só para ficar com os mais relevantes. Portanto, na tomada de decisão, as empresas precisam avaliar muito bem todos os riscos envolvidos e se vale a pena corrê-los.

O que se pode concluir é que por mais que as empresas continuem investindo para melhorar e tornar mais eficiente a sua cadeia logística, elas continuarão a enfrentar esses problemas, a menos que o Governo, que muito promete, mas pouco faz, invista pesadamente em obras de infraestrutura rodoviária, ferroviária e aérea e em uma ampla reforma tributária que acabe de uma vez por todas com essa insegurança.

 *Vladimir França, diretor executivo da ABRADISTI, Associação Brasileira de Distribuidores de TI

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