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A era do tecnoestresse

Sessenta por cento dos profissionais sentem-se estressados com o uso excessivo de tecnologia. Os setores de TI e de finanças concentram um número 40% superior de pessoas estressadas do que as áreas de saúde, educação, administração pública e serviços. Essas são as constatações da pesquisadora Ana Maria Rossi, doutora em psicologia e presidente do International Stress Management Association (ISMA-BR) no Brasil. Acompanhe parte da entrevista que Ana Maria concedeu à CIO:

CIO – Vocês realizaram uma pesquisa sobre o estresse relacionado ao uso de tecnologia?
Ana Maria Rossi – Sim, trata-se da Tecnoestresse. Foi um levantamento feito com 1,2 mil pessoas entre 25 e 55 anos, profissionalmente ativas.

CIO: Quais foram as principais conclusões da sua pesquisa?
Ana Maria: A principal constatação é o fato de 60% dos usuários profissionais estarem estressados com o uso de tecnologia.

CIO: E o que gera isso?
Ana Maria: A tecnologia trouxe velocidade aos processos de trabalho. Mas as pessoas também se tornaram dependentes dessa velocidade. Quando elas não podem contar com isso, o nível de estresse é altíssimo. Para os entrevistados, a perda de dados no computador é uma situação mais estressante do que a troca de emprego, que é classicamente uma das situações de maior ansiedade na conjuntura profissional.

CIO: Existem outras causas de estresse tecnológico?
Ana Maria: Sobrecarga de informações e as mudanças tecnológicas constantes apareceram em segundo e terceiro lugares, respectivamente, na pesquisa.

CIO: Quais os setores mais afetados pelo estresse tecnológico?
Ana Maria: O setor de finanças e de TI aparecem empatados. Nesses segmentos, o nível de estresse é 40% superior em relação a áreas como saúde, serviços, educação e administração pública.

CIO: Quais são os instrumentos tecnológicos que mais geram estresse?
Ana Maria: O notebook aparece em primeiro lugar. Por causa do uso excessivo ou por problemas de conexões. O celular e o computador tradicional vêm em segundo e terceiro lugar, respectivamente, pelos mesmos motivos.

CIO: A tecnologia ajuda ou atrapalha quando o assunto é estresse?
Ana Maria: A tecnologia deveria ajudar as pessoas, uma vez que é um instrumento facilitador. Mas a falta de limites no uso acaba prejudicando.

CIO: Como especialista no assunto, quais são seus conselhos para se ter uma relação mais saudável com a tecnologia e com a vida profissional?
Ana Maria: Em primeiro lugar, a pessoa deve estar consciente de seus limites. Depois disso, é preciso ter disciplina para respeitar esses limites. Os usuários devem usar a tecnologia como aliada nesse processo, aproveitando as facilidades que ela traz, mas usando-a com critério para que ela não se transforme em vilão do cotidiano profissional. Outra questão importante é que, no âmbito profissional, as pessoas costumam ficar muito dependentes das ações da empresa, esperando que ela seja a provedora de sua própria qualidade de vida. Os funcionários devem ser responsáveis por isso. É preciso que eles se mobilizem para proteger seus limites e para cultivar a qualidade em seu dia-a-dia.

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