Estamos vivendo novamente uma disputa acirrada entre superpotências, mas sem nenhum vencedor em vista. Não estou falando de política, mas do armazenamento de arquivos – a mesma disputa que anos atrás originou o mainframe, depois os computadores pessoais e, posteriormente, os mega, giga, terá e petabytes.
A criação, uso, armazenamento, recuperação e destruição da escrita impulsionou o que podemos considerar mais que uma economia, e sim a transformação das estruturas da sociedade. Hoje qualquer pessoa com acesso a um computador ou smartphone pode colocar os dedos sobre as teclas e iniciar um processo de criação – sem ao menos pensar qual carga está colocando na indústria de TI.
Dropbox, Box, Amazon Web Services, Hightail (anteriormente conhecido como YouSendIt) e a infinidade de sistemas da Microsoft – todos esses que querem nos fazer aprender, comprar e proteger dados estão em uma disputa para que abandonemos o uso tradicional e estabelecido de pastas, inventários e estruturas de diretório. Diante disso, será que as empresas estão prontas para uma mudança drástica?
Afinal, o que está errado com o sistema atual? Bem, parece que há uma mudança tecnológica corrente sobre o volume de dados e a forma de acesso, especialmente a móvel. As plataformas sem fio de hoje rodam com mais de 1.000 megabits por segundo. Agora, combine isso com políticas e regulamentos para uma empresa manter o controle de todos esses dados e a segurança exigida para garantir que a informação errada (que agora é móvel) não caia nas mãos erradas.
É difícil imaginar que o meu telefone corporativo de 64 GB consegue tirar fotos de 2MB dos meus filhos e que eu consigo digitar de 50 a 100 e-mails por dia, e que todos precisam ser catalogados, armazenados e salvos para a eternidade. Essa demanda por armazenamento barato e recuperação de dados de praticamente qualquer lugar é um paradigma de controle corporativo da TI. Quando é que este processo de criação em constante evolução se tornou tão livre e sem controle?
O Dropbox nos quer fazer crer que o seu simples cliente desktop, que permite o compartilhamento de diretórios inteiros com qualquer pessoa gratuitamente através da internet, é o futuro da colaboração e, finalmente, a substituição de nossos servidores de arquivos.
O Box pega sua segurança e integração com o Windows como a mais sábia de escolhas, até mesmo para a área de saúde.
A Amazon simplesmente continua a baixar seus preços e devorar dados a uma taxa alarmante, mas sua facilidade de uso e integração com o desktop são preocupações sérias.
A Hightail e a proposta de grandes sistemas de transferência, onde fazem todas as cópias de captura de nossos dados, mesmo que apenas por um curto período de tempo, seja o suficiente para torná-la uma solução. Hoje, a maioria de seus serviços preenchem uma só lacuna, a transmissão de arquivos grandes demais para e-mail, mas a companhia começou a competir em outros cenários de compartilhamento e armazenamento.
E claro, a gigante Microsoft, com o grande sucesso do lançamento do SharePoint 2010, que agora encontra-se à beira de irrelevância. É quase como remendar uma estratégia de aplicativos móveis, SkyDrive, SkyDrive Pro, Office 365 e essa coisa chamada Azure. Isso não é o suficiente para fazer os departamentos de TI questionarem: “O que você está fazendo com a gente?”
Por último, devemos observar a Salesforce.com – os usuários da plataforma Force.com podem gostar da combinação de forte esquema de segurança, acesso ubíquo e fácil gerenciamento, que parece o suficiente para fazer os profissionais de TI babarem com a antecipação de uma plataforma única que encarna a nuvem e resolve as limitações dos sistemas atuais.
Assim, parece que as soluções simples, como Box e Dropbox, devem ser contidas como ameaças à grandes organizações por causa de sua falta de segurança de classe empresarial e recursos de auditoria. Enquanto isso, o Box opera fora dos sistemas atuais de administração e, portanto, torna-se um fardo, em vez de ser encarado como uma inovação para armazenar dados gratuitamente.
A Amazon continuará a definir o armazenamento barato. Também irá proporcionar um nível necessário de compreensão e adoção de armazenamento de dados que se encaixa em seus modelos de segurança.
Já a Microsoft vai confundir a indústria que ela criou por estar (mais uma vez) por trás do mercado, à espera de seus parceiros para inovar em sua infraestrutura agora madura.
E Salesforce.com vai ser o elemento isolado desse grupo. É escalável, segura e indiscutivelmente a mais adequada para apoiar as mudanças móveis e sociais do mercado através de suas recentes aquisições. Mas será que companhia vai oferecer o armazenamento de arquivos como uma oferta independente? Ou será que simplesmente vai permitir que seus clientes atuais aproveitem a bondade da nuvem que ela inventou tantos anos atrás?
Para os meus amigos usuários de IBM, Linux e Hadoop existem essas opções. Mas, para os usuários de computadores do mundo corporativo, encontrar um maneira fácil de implementar e utilizar o compartilhamento de arquivos na nuvem ainda é uma ilusão.
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