Preocupação com uma possível bolha de tecnologia e expectativa para grandes rodadas de investimentos. Esses são alguns dos principais temas que ficaram na cabeça de fundadores de startups localizadas nos Estados Unidos durante 2019, de acordo com a edição desde ano da pesquisa realizada pela firma de venture capital First Round, que tem dentro do seu portfólio marcas como 9GAG e a desenvolvedora de games Roblox.
A versão deste ano contou com 950 respondentes (entre CEOs e funcionários) e vale a pena olhar as percepções desse público por eles estarem na base do cenário de empreendedorismo americano: mais de um terço (36%) se encontra na Bay Area (região que concentra startups nos EUA) com um negócio entre 3 e 5 anos e ainda está nos estágios iniciais, com investimentos-semente ou rodada Series A.
Segundo dados coletados pelo estudo, essas são as percepções desse público sobre temas como:
Mais de dois terços dos fundadores acreditam que o mercado esteja próximo de um evento parecido, que ocorreu nos anos 2000 quando, após valorizações estelares, as empresas de tecnologia não conseguiram provar seu modelo de negócio e a desvalorização quebrou milhares de marcas do ramo.
De acordo com os respondentes, a vida ficará mais complicada para quem precisa captar recursos no próximo ano.
No levantamento, 65% dos fundadores acreditam que o capital será mais difícil de aumentar em 2020 e 70% preveem que o equilíbrio de poder nas negociações será direcionado aos investidores.
Em 2018, esses percentuais estavam em 44% e 46%, respectivamente.
A entrada no mercado de tecnologia ainda se mostra difícil para as funcionárias que participaram da pesquisa: 40% delas relataram que seu sexo prejudica suas chances de serem contratadas ou de ocupar cargos seniores no setor.
A situação fica ainda mais desigual quando a mulher está no cargo de fundadora: 70% sentiram que seu sexo prejudicava sua capacidade de arrecadar fundos.
De acordo com as respostas, o tema é encarado como crucial para os fundadores da Bay Area: 80% dos fundadores acreditam que ter uma equipe mais diversificada terá um impacto direto no crescimento de sua startup.
A questão também é considerada por quem trabalha no meio: os colaboradores que participaram da análise têm uma probabilidade três vezes maior de antecipar a saída da empresa caso não identifiquem iniciativas nesse sentido.
Esse foi um foi aspectos que apresentou a maior diferença entre a percepção de fundadores e colaboradores.
Enquanto 53% dos CEOs achavam que o perfil da empresa no Glassdoor (site em que funcionários contam de forma anônima os prós e contras de se trabalhar numa determinada empresa), o percentual foi de 80% quando a mesma pergunta foi respondida por colaboradores.
Apenas 15% dos fundadores acreditam que trabalhar remotamente torna sua equipe mais produtiva. Já os 41,4% dos funcionários afirmam que ficar em casa aumenta o foco nas tarefas corporativas.
Um dado interessante é que a percepção dos donos do negócio sobre home office melhora até 6 vezes quando eles próprios adotam esse sistema ocasionalmente.
Quando os funcionários não confiam em seu CEO, a confiança de que a startup pode atingir US$ 1 bilhão de valor de mercado e alcançar o título de unicórnio é três vezes menor quando o percentual é comparado com quem se identifica com os superiores.
E ainda é pequeno o número de pessoas do alto escalão trabalhando em desenvolvimento profissional: apenas 25% dos CEOs pesquisados realizam algum tipo de mentoria executiva.
A preocupação com o bem-estar psicológico já está presente na vida dos C-Levels, mas a proporção de quem de fato trabalha esse aspecto da vida muda de forma significativa dependendo do gênero l.
As fundadoras têm quase três vezes mais chances de relatar a contratação de um terapeuta ou psiquiatra em comparação com seus colegas do sexo masculino (42% vs. 15%).
Outro recorte apresentado na pesquisa está relacionado com a idade: enquanto 28% dos fundadores abaixo de 40 anos relatou algum encontro com esses profissionais, o percentual foi para 18% no caso de Cris acima dessa faixa etária.
Quase 80% dos fundadores relataram a construção de uma comunidade de usuários como importante para seus negócios, com 28% descrevendo-a como um aspecto crítico para seu sucesso.
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