Uma das atrações do RD Summit, realizado nesta semana em Florianópolis, Gustavo Caetano relembrou o começo da sua carreira como empreendedor. Com uma família majoritariamente de médicos, uma carreira voltada para marketing incomodava os parentes, mas isso não o impediu de investir na profissão. A habilidade de comunicação, o ajudou no começo da vivência profissional, quando ele começou a vender joguinhos para celular para operadoras.
Logo depois, ele entendeu, em uma movimentação visionária, que vídeo seria relevante no futuro não muito distante – algo que está sendo provado hoje – e decidiu investir na área ao fundar a Samba Tech, que atua na gestão de vídeos on-line. De lá para cá, Caetano acumulou diversos aprendizados ao vivenciar o duro mundo do empreendedorismo – lições essas compartilhadas com a audiência do evento.
“Vivemos um cenário de alta competitividade, incertezas e um mercado cada vez mais dinâmico. As pessoas mudaram e os CEOs estão preocupados com a nova geração de empresas que surge como resposta a esse quadro”, contou, revelando que vivemos a era do Davi versus Golias, em que, pela primeira vez, os pequenos estão engolindo os grandes.
Segundo ele, o mote dessa era é que as novas empresas resolvem os mesmos problemas dos negócios tradicionais, mas de outra forma: com mais agilidade e menos (ou nenhum) atrito na experiência do cliente. “Não conseguimos projetar futuros diferentes do mundo que vivemos hoje. Contudo, as empresas que acreditam que o mundo vai caminhar igual ao que é hoje vão desaparecer”, comentou.
Ele lembrou que 90% das empresas da década de 1990 já não existem mais e que em 2016, as maiores companhias eram de energia e petróleo. Dez anos depois, as que mais valem são as de tecnologias, paranoicas por inovação.
O que as organizações podem fazer, então, para não serem engolidas por essa nova realidade? Caetano compartilhou sete dicas de ouro. Confira:
Quanto mais genérico seu negócio, menor a chance de sucesso. Veja o exemplo do Waze. Quando a empresa israelense surgiu, a TomTom detinha 90% do market share de GPS no mercado. Mas a TomTom não resolvia o problema de visibilidade do trânsito, algo que o Waze, sim, fazia. Resultado? O Waze hoje é unânime.
Como desenvolver negócios baseados no cliente? Essa parece ser a pergunta de US$ 1 milhão. A resposta, contudo, é mais simples do que parece: foque verdadeiramente no cliente. “Estamos saindo de uma era de vínculos estruturais, na qual o cliente é obrigado a ficar na empresa, para vínculos emocionais – esse é o perfil das novas companhias”, comentou o empreendedor.
A própria Samba Tech lança mão dessa estratégia, em busca de foco. “Vamos pensar em um pino de cada vez”, recomentou. No caso da Samba Tech, a estratégia foi apostar inicialmente em grupos de mídias. Depois, a empresa partiu para o setor de educação e, em seguida, franquias.
Pode acreditar: nenhuma empresa sobrevive sem um propósito. Melhore a vida das pessoas, arrumando algo que está errado e você certamente terá sucesso, recomenda Caetano.
O pensamento dez, segundo ele, é aquele que busca melhorar o que existe na empresa, adicionando tecnologia ou processos, tornando-se dez vezes melhor, dez vezes mais rápida e dez vezes mais efetiva.
“Muitas vezes, o líder se fecha, vai para uma sala e não sabe o que está acontecendo na empresa. É preciso descer do pedestal e apostar em gente boa no time. Treine as pessoas para tomar decisões”, aconselhou.
A lógica das startups deve funcionar aqui. Mas depois de falhar rapidamente, arrume na mesma velocidade.
*A jornalista viajou a Florianópolis a convite da Resultados Digitais
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