Em palestra para o evento DCX, voltado para profissionais do setor varejista, Laércio Cosentino, compartilhou com o público algumas lições e boas práticas que reuniu ao longo da carreira.
O fundador e atual presidente do conselho de administração da TOTVS falou sobre temas como foco no trabalho realização, estruturação organizacional e internacionalização da marca, além de comentar os setores da indústria que, acredita, receberão mais investimentos no futuro.
Abaixo, apresentamos os cinco pontos mais importantes do bate-papo informativo (e cheio de boas metáforas) que o executivo teve com Alfredo Soares (SMB VTEX) e Ricardo Bechara (Rappi). Confira:
Além de gerenciar a operação da empresa, Cosentino passou um bom tempo acumulando o trabalho de programação por, dentre outros motivos, gostar muito do resultado que a atividade proporciona. Mas chegou um momento em que essa equação ficar mais complicada. “Eu tinha que tocar a empresa, ter as ideias, fazer a estratégia e ainda programar. Meu dia era uma loucura.”
Um dia, indo para o trabalho, o fundador tomou a decisão final de não executar mais o trabalho operacional e investir seu tempo e energia em atividades enxergadas como decisivas:“Para poder crescer a companhia não dava para fazer as duas coisas, mesmo eu gostando tanto de programar. Eu precisava fazer uma única coisa. E muito bem-feita.”
A TOTVS abriu capital em 2006 mas, desde 1999, tinha um conselho de administração que auxiliava na tomada de decisões. De acordo com o chairman, organizar a companhia tendo em mente o que você deseja que ela se torne no médio e longo prazo facilita o crescimento sustentável.
“Pense grande. Tenha toda a parte de compliance, o conselho de sucessão e boas pessoas te acompanhando adiante. Isso é o que você vai precisar para dar um passo rumo a coisas maiores.”
Como presidente do conselho de administração, o papel de Cosentino é muito mais estratégico e foca no direcionamento da TOTVS e como evoluir a cultura da companhia. Segundo ele, esse “desapego” do dia a dia é importante para garantir a continuidade da marca. “Se você [fundador] viveu uma grande história, tome cuidado porque às vezes você pode criar, crescer e derrotar essa empresa você mesmo”, ressalta.
Sobre o processo de transição para a entrada de Dennis Herszkowicz como CEO, o executivo explica que o ponto de contato entre ambos acontece em uma reunião semanal com duas horas de duração. Além desse encontro, Cosentino tenta se manter afastado da operação para que o novo executivo consiga assumir seu papel com mais liberdade e autonomia.
“Se eu ficasse lá todo o dia, primeiro que tudo iria continuar do meu jeito. Segundo que, entre falar com o fundador e falar com o CEO, todo o mundo vai querer falar com o fundador.”
Falando sobre como se diferenciar da concorrência, o executivo acredita ser impossível manter a competitividade sem um produto que gere escala. Porém, contar apenas com um ótimo produto ou serviço não é garantia de crescimento: é necessário ter um ambiente no qual o negócio possa se desenvolver.
“Você precisa ter uma grande empresa fortalecida. Com gestão, capacidade de financiamento, funding etc. E ter ao redor vários satélites que vão permitir que você continue crescendo.”
“Ainda estamos virando a chave” foi a resposta de Cosentino ao ser perguntado sobre como anda o processo de expansão da TOTVS para outros países. Mas o executivo analisa que parte dessa “demora” se deve ao fato do Brasil possuir um mercado grande o suficiente para ser explorado. “Se você faz uma empresa de tecnologia em Israel, se não pescar em outro lugar você não tem peixe. Aqui é o contrário”.
Até por conta desse fator, o foco da companhia permanece nacional. “Se a TOTVS tivesse se preocupado em ir para fora, talvez perdesse a liderança do mercado brasileiro. Nossa estratégia é a seguinte: se todo o mundo está vindo pra cá, por que a gente tem que ir pra lá?
Cosentino afirma que realiza investimentos em três grandes áreas: tecnologia, saúde e construção civil com foco em soluções digitais, sendo que o seu interesse pessoal está em saúde. “De vinte dias úteis, dez dias são [dedicados a] saúde”.
Nesse setor, o executivo já fez investimentos em startups como a Braincare, que desenvolveu uma metodologia capaz de medir a pressão intracraniana (PIC) por meio de escaneamento, sem a necessidade de realizar um procedimento invasivo no paciente.
(Trechos do penúltimo e último parágrafo modificados para esclarecer que Cosentino se referia a negócios de seu Family Business e não projetos tocados pela TOTVS.)
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