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O que o autor de “Wikinomics” aprendeu sobre colaboração

A mudança que as ferramentas colaborativas estão trazendo ao mundo dos negócios já está no radar de Don Tapscott há alguns anos. Em seu livro “A empresa transparente” (M.Books, 2005), escrito em parceria com David Ticoll, o guru discute a necessidade de as companhias estarem preparadas – processual e culturalmente – para serem mais transparentes quando os stakeholders (clientes, funcionários, parceiros, fornecedores e acionistas) passam a ter muito acesso a informações e tornam-se cada vez mais críticos.

Lançado nos Estados Unidos em 2006, Wikinomics (Nova Fronteira, 2007) vai mais longe e aponta como a colaboração vem impactando o funcionamento das empresas e, em última instância, da economia. Tapscott garante que apesar da resistência dos mais conservadores, a disseminação do poder antes concentrado no topo das organizações é um movimento favorável para o desenvolvimento das empresas e forte estímulo para a inovação. Mas lembra que, “se for para ficar nu, é preciso estar em forma”.

O negócio está sob o microscópio atualmente. Graças à web, as empresas são, hoje, esquadrinhadas como nunca antes. Em um mundo de comunicações instantâneas, denunciadores, mídia investigativa e Google, cidadãos e comunidades estão pondo as empresas sob o microscópio continuamente. Clientes podem avaliar o valor de produtos e serviços em níveis que antes eram impossíveis. Para colaborar efetivamente, as empresas e seus parceiros de negócio têm de compartilhar mutuamente seus conhecimentos internos.

A transparência é uma nova forma de poder. Em vez de ser temida, a transparência está tornando-se essencial para o sucesso nos negócios. Empresas abertas têm um desempenho melhor, portanto, as empresas inteligentes estão preferindo ser abertas. Suponho que você poderia dizer que elas “se despem para alcançar o sucesso”.

Os benefícios da colaboração em massa são ilimitados. Sou forçado a pensar em um serviço ou produto que não se beneficiaria. A indústria da música provavelmente é a mais irritante para mim. Ficou claro, há anos, o que eles deveriam fazer. Mas os líderes de velhos paradigmas são os que têm mais dificuldade de abraçar o novo — e a mesma indústria que trouxe Elvis e os Beatles é odiada por seus consumidores. Fico surpreso com os executivos de C-level que insistem, apesar de toda evidência em contrário, que as desvantagens da colaboração superam os benefícios.

Pratique o que você prega. Tento obter o máximo possível de conhecimento prévio antes de me sentar para escrever. Quando escrevemos “Wikinomics”, por exemplo, recorremos a fóruns de discussão online para fazer aflorar idéias e buscar sugestões.

Chegamos ao subtítulo do livro, “Como a Colaboração em Massa Pode Mudar o Seu Negócio”, solicitando sugestões do público. O último capítulo é um wiki. No momento, estou escrevendo “Grown Up Digital”, uma seqüência do meu livro de 1998, “Growing Up Digital”. Novamente, estou usando grupos de discussão online no Facebook e outras redes para que as idéias aflorem. Tocamos a empresa por meio de wiki. Não acontece uma reunião de gestão real aqui há meses.

Pensar adiante compensa. Comecei a pensar seriamente em networking e no profundo impacto que ele teria sobre a sociedade quando desenvolvia um trabalho sobre o “escritório do futuro” na Bell Northern Research, na década de 70. Minha pesquisa era no contexto corporativo, mas não demorei muito a perceber que networking ultrapassaria os limites corporativos e que alguma forma de “auto-estrada da informação” precipitaria grandes mudanças. Naquela época, porém, todo mundo disse que profissionais e gestores nunca aprenderiam a usar um teclado.

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