BI, analytics, Big Data, inteligência analítica. Não importa qual nome ou sigla você esteja trabalhando neste momento, todos eles levam a um objetivo único: usar os dados de forma estratégica para aumentar receita ou acelerar tomada de decisão. E a discussão em torno desse tema tem tido cada vez mais espaço nas rodas de tecnologia, visto que a geração de dados cresce a cada momento de forma de deixou-se de falar em terabyte ou petabyte, para discutir zettabyte e yottabyte. Como lembram os especialistas, a geração de informações dobra a cada ano e 95% desse conteúdo é não estruturado.
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Pela importância dessa tendência e pelos impactos que ela causa na área de TI, a InformationWeek Brasil trouxe a temática para o debate Inteligência de Dados, realizado na terça-feira (15/01), na sede da IT Mídia, em São Paulo. Convidamos para discutir a questão o CIO da Serasa Experian Lísias Lauretti, o diretor de infraestrutura da Netshoes Jesus Garcia, o Chief Data Architect (CDA) da Boa Vista Serviços Célio Figueiredo, o presidente do capítulo brasileiro da Data Managemente Association (DAMA) Rossano Tavares e o consultor da IDC Anderson Figueiredo.
Garcia, Lauretti e Figueiredo, até pela natureza do negócio das respectivas empresas, já trabalham as informações de forma estratégica há algum tempo, mas, apenas mais recentemente, que iniciativas com impactos maiores começaram a despontar. Na Serasa, por exemplo, a adesão à plataforma Hadoop permitiu que as informações não estruturadas, especialmente as coletadas na web, fossem mais bem aproveitadas. Na Netshoes, a análise minuciosa influenciou a decisão de abrir um centro de distribuição no Nordeste e, por fim, na Boa Vista, empresa com dois anos de mercado, o foco está totalmente voltado à governança e qualidade dos dados, o que interfere totalmente na tomada de decisão e desenvolvimento de produtos.
Ao analisar tudo que foi debatido ao longo de duas horas, quatro pontos se sobressaíram. A seguir, você confere o que podemos chamar de dilemas da inteligência analítica:
– Formação profissional
É sabido que o setor de TI como um todo passa por uma dificuldade para encontrar profissionais bem qualificados. Quando se olhar apenas a área de inteligência analítica, o desafio é ainda maior, isso porque, trata-se de um segmento onde os profissionais ainda estão em formação e há pouca disponibilidade no mercado, mesmo quando existe o intuito de trazer alguém da concorrência.
Para Rossano Tavares, a necessidade de profissionais especializados em dados já foi identificada há um tempo no exterior e se assiste a isso, agora, no Brasil. Par ao especialista, ?as organizações precisam tomar consciência e atitude, não adianta querer apenas tirar da concorrência?. Ele lembra que o perfil desse profissional é muito específico, já que ele precisa saber matemática, estatística, ser paciente e capaz de mergulhar profundamente para entender os dados. Existe um cálculo de que o Brasil precisa de, no mínimo, 90 mil profissionais para gestão e governança de dados.
A Netshoes, como confirma Garcia, tem ido às universidades em busca dessas pessoas e o diretor frisa que o desafio não está apenas na análise da informação, mas na integração de todo esse ambiente com o negócio de forma a gerar resultado. Na Serasa, eles costumam trabalhar com equipes multidisciplinares ? matemáticos, estatísticos, entre outros ?, o que, de certa forma, contribui para a formação interna desses profissionais, além disso, como lembrou Lauretti, eles também ficam de olho no que acontece nas universidades.
Figueiredo, da Boa Vista, avalia a questão remetendo aos anos 80, quando, também, havia dificuldade para encontrar administradores de do e alfineta: ?TI tem dificuldade de entender o dado como algo estratégico?. Eles possuem por lá mais de 20 estatísticos, apenas a área de dados da empresa conta com mais de cem profissionais e eles têm investido forte em capacitação. Mas o CDA alertou para uma análise correta de todo o ambiente para que investimentos não sejam feitos em vão.
– Estabelecer um norte
?Você precisa saber quem você é e o que você quer fazer. Quando sabe isso, passa a olhar o ferramental. As tecnologias surgem em cima de uma necessidade e verifica-se a possibilidade de usar para mais coisas. Elas acabam tendo destinos objetivos e destinos específicos para resolver problemas que você está encarando?, apontou Lauretti, da Serasa Experian, ao falar sobre a necessidade de ter um norte bem estabelecido antes de sair em busca de soluções para resolver algum ponto específico.
Aliás, isso é tão fundamental que foi citado por diversos momentos durante o debate realizado pela InformationWeek Brasil. Em várias ocasiões, os executivos colocaram a questão: a sua empresa sabe o que quer? O que você espera de analytics ou de Big Data? ?É muito importante saber definir qual o problema que queremos tratar, abordar, que modelo iremos construir, cada caso é um caso, cada caso uma necessidade. Mas, na Boa Vista, estamos focando no comportamento humano e na semântica?, afirmou Figueiredo, justificando a aposta em analytics que é usado tanto para atender a demandas internas quanto de clientes.
O analista da IDC explica que a grande dificuldade não está apenas na quantidade de informação que se tem para analisar. ?Ninguém sabe em que momento trará o contexto do não estruturado para o estruturado, para algo que realmente sirva?, alerta. E isso faz todo sentido. É comum ouvir em eventos que sua empresa precisa, sim, armazenar e avaliar toda e qualquer informação. Mas isso faz sentido? Como isso se adapta ao objetivo da empresa?
Garcia, da Netshoes, elenca pessoas, processos e tecnologias como pilares essenciais no estabelecimento de uma estratégia para lidar bem com os dados. ?Um dos grandes desafios foi separar o que é relevante do que não é. Quando tem massa de dados, como vai transformar dado em informação? Como transformar essa informação em conhecimento? Como transformar conhecimento em inteligência? É uma cadeia simples, mas complexa e precisa maturidade de processos, pessoas e comprometimento da empresa como um todo.?
– Pensar na governança
A preocupação com a governança do dado é um ponto que tem ganhado cada vez mais importância. Até porque, com o manuseio de informação estratégia, é essencial pensar em como tudo isso acontece e em quais são os melhores processos para trabalhar isso no dia a dia. Na Boa Vista, que recentemente recebeu uma certificação da DAMA pelo tratamento adequado destinado às informações, Figueiredo afirma que, dentro do trabalho de governança, um dos pontos fundamentais foi a definição de papeis e funções clara e com atividades e responsabilidades também bem definidas. ?Isso ajudou a preparar as pessoas dentro da organização para serem incorporadas no processo. É necessária uma base, sem isso, não se descobre o que quer.?
O CDA explicou, também, que tem processos bem trabalhados com as áreas de negócio, até para entender melhor quais dados são utilizados no dia a dia, assim, o executivo entende que consegue ter uma visão mais completa de quais informações são realmente importantes para o negócio da Boa Vista.
Dentro dessa questão da governança dos dados, ter bons processos e uma cultura de gestão do conhecimento são pontos essenciais. É preciso lembrar que ainda é muito comum o uso de planilhas de Excel e esses arquivos ficam armazenados nas máquinas dos usuários, ou seja, pode ser que algo essencial para o negócio não esteja compartilhado. Mas, como lembra Tavares, da Dama, ?dificilmente se acabará com isso, o usuário final gosta. Mas tem que identificar quais são os usuários e trabalhar a consciência deles. Existem ferramentas de semântica que inserem a planilha num ambiente produtivo e governado.?
Ainda em relação às planilhas, Lauretti acredita que, quando possível, aderir a um modelo híbrido, onde esses arquivos convivam com a política de dados é essencial para a empresa. ?A referência é a planilha do cara e não o sistema, mas é preciso saber onde estão e quais planilhas são críticas?, ensina.
– Ética no uso dos dados
Falar em ética no uso das informações é algo altamente complexo. Figueiredo, da IDC, não explanou muito sobre o assunto, mas levantou uma questão a partir de uma iniciativa recente da Disney. ?Eles lançaram um pedaço novo no parque e junto disso um bracelete que servirá para compra que terá todas as informações e trajetos. Até onde é ético??
Garcia, da Netshoes, lembra que existe a ética e as leis que precisam ser seguidas e, na companhia, o desafio dele está em cumprir as duas situações. ?Se o cliente recebe um email, é porque ele registrou em algum ponto, mas a qualquer momento pode optar por deixar de receber. Nosso objetivo é transformar a experiência, vendemos serviços de assunto que é gostoso: esporte e lazer. Não queremos mandar email toda hora. Se você não clica nos emails, não interage, colocamos em quarentena por um período, como um respiro. É preciso ética e bom senso.?
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