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3G e 4G não devem dar conta de demanda por dados no Brasil

As pessoas não começaram ontem a consumir vídeo pela web e a passar horas conectadas, seja em sites de notícias, fazendo pesquisas ou participantes das redes sociais. Mas a popularização de tablets e smartphones e o barateamento dessas plataformas e planos de dados móveis convidativos fizeram com que esse consumo saltasse. Dados apresentados durante o Cisco Plus, evento da fabricante para parceiros e clientes que acontece no Rio de Janeiro, prevê, por exemplo, que, até 2015, o consumo de vídeo representará 78% do tráfego móvel no Brasil.

De forma geral, informa a Cisco, o tráfego de dados móveis terá um crescimento médio anual de 118% entre 2010 e 2015. “E é preciso entender que usuário móvel não é só 2G ou 3G, mas, também, WiFi. E essas pessoas já não toleram engasgadas na transmissão de vídeos”, comenta Anderson André, diretor de operadoras para América Latina na Cisco.

Quando se analisa um cenário como esse, logo os olhos se voltam para as operadoras de telecomunicações, especialmente, as móveis. Será que os investimentos realizados por essas companhias são suficientes para suprir essa demanda? Na verdade, entende o especialista da Cisco, elas terão que diversificar. Para ele, nem a implantação das redes 4G dará conta da crescente demanda por dados.

Algo que aponta para uma redefinição da estratégia das operadoras é a ampliação do consumo. De 2010 a 2016, o tráfego de informações por smartphone dará um salto de 55 megas para 2,55 gigas por mês. “Nem 4G dará conta, não tem espectro suficiente para consumo de dados da forma que cresce hoje. Só será possível com uso combinado de WiFi”, explica André.

A operadora norte-america AT&T, por exemplo, registrou 250 milhões de acessos via hotspots em 2011, sendo que 70% desse tráfego foi gerado via smartphones. No Reino Unido, muito por conta da Olimpíada, o número de hotspots subiu bastante e já passa de 180 mil. No Brasil, apesar da demanda por mobilidade, são pouco mais de quatro mil espalhados pelo País.

Mas André prevê um forte crescimento. O executivo acredita num modelo onde sejam montadas estruturas de WiFi com cobertura similar à de operadoras móveis. Assim, o usuário em área de cobertura dos hotspots é automaticamente direcionado à essa rede, de forma transparente, liberando a rede móvel tradicional de voz e dados. “Embora as operadoras digam que têm cobertura nacional, boa parte dessa cobertura é EDGE e isso está longe de ser banda larga, e o WiFi é alternativa.”

Embora o WiFi possa auxiliar num cenário de demanda crescente, não basta apenas a instalação de hotspot de maneira desenfreada. As companhias precisam investir em infraestrutura fixa de modo que a conexão WiFi tenha qualidade. No mundo, diversas operadoras dispõem desse tipo de acesso para seus clientes e monetizam essa implantação vendendo o acesso para aqueles que não sejam usuários.

*O jornalista viajou ao Rio de Janeiro a convite da Cisco

 

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