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2013, o ano do BB10 e do Firefox OS: tudo em torno dos aplicativos

2013 chegou, e com ele dois lançamentos que prometem mexer com a indústria de mobilidade: o Firefox OS, sistema operacional da Mozilla totalmente baseado em HTML5, e o BlackBerry 10, nova onda da plataforma da Research in Motion, que havia sido prometida para o ano que passou. Contudo, caso não cumpram a expectativa de abalar as estruturas do setor móvel, são as estruturas das próprias empresas que poderão ser comprometidas.

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A Mozilla Corporation é dona do precursor browser Firefox. Com um histórico inegável de sucesso, o navegador, que talvez seja o produto mais conhecido da entidade sem fins lucrativos, perde cada vez mais espaço para o concorrente Google Chrome. Segundo dados da StatCounter, por exemplo, o Chrome passou de 26% do mercado em dezembro de 2011 para cerca de 36% um ano depois. O Firefox, que tinha 25%, possuía cerca de 21% em dezembro de 2012.

Já a RIM tinha 12,7% do mercado de smartphones vendidos no terceiro trimestre de 2011, segundo o Gartner, caindo para 8,94% no mesmo período do ano passado. De acordo com a pesquisa, no mesmo intervalo de tempo, o Android, do Google, comeu boa fatia das novas vendas, passando de 52,5% para 72,4% neste intervalo de tempo. A RIM sabe que seu desafio com o BB10 é resgatar seu perfil inovador no mercado móvel, e esse resultado, positivo ou negativo, definirá a longevidade, ou não, dos negócios.

Então vamos aos movimentos. A Mozilla anunciou em 2012 que o Firefox OS, nome dado ao projeto Boot to Gecko, será apresentado ao mundo em um lançamento no Brasil, que será realizado no começo de 2013. A garantia foi dada pelo CEO da Mozilla Corporation, Gary Kovacs, que esteve ao Brasil em abril do ano passado, para explicar o projeto e a parceria com a Telefônica. Segundo a companhia, o foco principal é quebrar as amarras que hoje são vistas em plataformas proprietárias, como Android e iOS. A ideia principal é democratizar o uso de aplicativos.

Na mesma semana, fabricantes de dispositivos TCL Communication Technology (sob a marca Alcatel One Touch) e ZTE anunciaram no mesmo dia sua intenção de fabricar os primeiros aparelhos com o novo SO Firefox, usando processadores Snapdragon, da Qualcomm.

?Onde você quer viver sua vida online? No Google? Na Microsoft? Na Apple? Uma só companhia, não importa o quão boa seja, não pode satisfazer as necessidades de bilhões de pessoas no mundo?, dissera o executivo da Mozilla. ?É por isso que a web existe para conectar todo mundo. Acreditamos que a web, e não um sistema proprietário como o iOS, o Android ou o Windows Phone, é a melhor plataforma.”

De acordo com o executivo, não há forma consistente de criar aplicações multiplataformas, porque as lojas virtuais da Apple, Android e Windows Phone não se conversam. Isso gera retrabalho ao desenvolvedor que quer ter seu app em todas elas. ?Isso não é internet aberta para nós. Tudo isso contribui para algo fundamental: limita a inovação. Hoje parece que temos muita inovação em aplicativos porque começamos do zero. Dez anos atrás, a inovação da internet era muito devagar. AOL tinha 17 milhões de usuários, quando o ambiente foi aberto para padrões open source, saltou para cem milhões. O mesmo vai acontecer com mobile?, complementou.

Já o BB10 chegará no dia 30 de janeiro de 2013. Anunciado em outubro de 2011, o BlackBerry 10, que antes chamava BBX, promete integrar o tablet Playbook com a linha de smartphones. A previsão era de que ele chegasse aos celulares da marca já no meio de 2012, prazo que foi dado como incerto ainda em 2011. Os atrasos no lançamento foram justificados pela RIM, que alegou preferir demorar mais para apresentar o produto do que fazê-lo com o sistema ainda incompleto.

De fato, a RIM não pode se dar ao luxo de lançar uma plataforma menos que fenomenal. O BlackBerry 10 é a grande aposta da empresa para ganhar o prestígio perdido no mercado de smartphones para concorrentes como iPhone ou aparelhos com Android – mais efetivamente com a Samsung e sua linha Galaxy. Por esse motivo, o produto tem um discurso todo voltado para o usuário final, com aplicativos e funcionalidades menos sisudas do que as encontradas em versões anteriores, mas com o eterno apelo de segurança amparada na criptografia da marca.

A fabricante apresentou pedaços e dicas da nova interface de usuário da plataforma, que promete revolucionar a forma como o homem interage com dispositivos móveis. Algumas das funcionalidades ? chave deste novo conceito, conforme a empresa ? são o BlackBerry Hub (ambiente que agrega os principais aplicativos utilizados pelo usuário) e o BlackBerry Flow (que é a capacidade multitarefa que vem embutida na plataforma, o que garante a navegação interaplicativo, dispensando o botão de home).

?Ao construir o BlackBerry 10, decidimos criar uma experiência móvel única que constantemente se adapta a suas necessidades?, disse Thorstein Heins, presidente e CEO da RIM. ?Nosso time trabalhou incansavelmente para trazer aos nossos consumidores funcionalidades inovadoras combinadas com o melhor navegador da classe, um rico ecossistema de aplicativo e capacidade multimídia de ponta. Tudo isso será integrado dentro de uma experiência de usuário ? o BlackBerry Flow ? que é diferente de tudo o que há em smartphone hoje.?

Em segundo lugar, a companhia revelará no dia 30 de janeiro a versão final de dois modelos de smartphones, um deles com uma grande tela sensível ao toque e outro com um combinado de teclado físico e touchscreen. Os dados sobre os preços dos produtos serão apresentados no evento.

Mas o que eles querem…

A ideia do Firefox OS é acabar com o bairrismo dos aplicativos e democratizar a mobilidade. E a RIM corre rápido para garantir que sua App World tenha aplicativos nativos, no mínimo, interessante para conseguir puxar a atenção do público final e corporativo. Ela promete ter mais apps em seu lançamento do que o total que os demais sistemas operacionais tiveram quando foram lançados. Isso tudo bem, mas dificilmente ela terá os mais de 700 mil apps que atualmente tem o iOS e Android. Por isso promete salário anual garantido aos seus desenvolvedores de US$ 10 mil e facilitou a conversão de apps Android para o BB10, o que pode ser feito com apenas dois cliques em um sistema.

A Mozilla e a RIM sabem que o usuário está acostumado com programas bonitos, intuitivos e divertidos. Tudo culpa da consumerização, que trouxe um novo formato de se comportar na empresa e praticamente extinguiu as personalidades pessoal e corporativa, hoje fundidas 24 horas por dia, sete dias por semana.

A Microsoft já tem cerca de 125 mil aplicativos em sua Market Place e apresenta um sistema operacional móvel recém-saído do forno, o Windows Phone 8, que ainda não pode ser classificado como um sucesso. A Canonical informou, também, que pretende lançar um sistema operacional móvel com base no Ubuntu. Já temos o iOS, o Android, e alguns outros, que após forte sucesso, minguam: webOS, Meego, Symbian.

Conclusão inconclusiva

Fica claro que o sucesso dos fabricantes móveis é baseado em aplicativos. O Firefox OS quer flexibilizar. A RIM quer fortalecer sua loja e promete a maior rentabilidade entre as concorrentes. As regras para o iOS são um espinho no mouse dos programadores mas sua estabilidade promete quase que um sucesso garantido, ao passo que questões envolvendo segurança e baixa remuneração ameaçam aqueles que apostam no Android.

Quem vai ganhar essa corrida? Difícil de arriscar. Mas vale pensar sobre.

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