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100+: setor de agronegócio busca mais sinergia

Não é de agora que a agroindústria passa por um período de adoção tecnológica que transforma sua maneira de fazer negócio. Os impactos são percebidos na busca por uma aproximação maior das empresas com seus clientes, em automação e em estender facilidades trazidas pela tecnologia para a ponta do processo, o que muitas vezes implica levar recursos computacionais a um vendedor que visita uma fazenda em algum rincão do Brasil. Seja qual for o caso, inovação é fundamental.

A estratégia de Valdemir Raymundo, gerente de TI da Tortuga Companhia Zootécnica, campeã da categoria e 25ª colocado no ranking geral, passa por canalizar esforços que tragam soluções que eliminem o que for commodity. Desta forma, tecnologia entra para que a empresa possa focar cada vez mais nas questões estratégicas. “A inovação vem da necessidade do negócio”, acrescenta.

Nos primeiros colocados da categoria percebe-se que a TI ocupa uma posição fundamental como forma de aproximar a empresa do mercado. O departamento conduzido por Raymundo, por exemplo, busca criar pontes para gerar ações por meio de recursos tecnológicos e, assim, fortalece soluções para deixar mais ágil o trabalho no campo. Diversas iniciativas neste sentido pautam os trabalhos da área. Um caso de mobilidade aparece como emblemático.

Até pouco mais de um ano, os profissionais da Tortuga saiam para visitar seus clientes e preenchiam o pedido nas fazendas em um talão à mão. O processo gerava demora no envio de informações, que impactava na lógica de produção e podia afetar prazos de entrega. A solução para o problema foi substituir o modelo manual levando dispositivos portáteis ao campo e recebendo dados por meio da web. Hoje, diz o gerente, quase todo contato com cliente é basicamente realizado via TI. “Temos 200 promotores e mais 500 representantes utilizando aparelhos da HTC. Aproximadamente 90% do time já está coberto”, dimensiona.

O executivo afirma que isso se deve muito ao fato de que a necessidade das unidades é trabalhar melhor o pós-venda e o relacionamento. “Habilitamos as pessoas a atuar de forma mais estratégica”, afirma. A TI também contribui na otimização dos gastos, o que pode ser visto em outras iniciativas adotadas como terceirização de impressão, virtualização de servidores e interligação de pontos através de videoconferência. Além disto, a empresa prepara-se para adoção de soluções de inteligência e estuda a aplicação de etiquetas radiofrequência (RFID). A meta, a partir de agora, é começar a propor projetos e trabalhar ainda mais próximo às áreas de negócio.

No DNA

Eficiência operacional e foco no cliente também compõem os pilares estratégicos na Cargill, segunda colocada na categoria de agronegócio e 49ª no geral. A TI comandada por José Antônio Parolin vem figurando no ranking das mais inovadoras nos últimos anos. Em 2009, ocupou a 22ª posição geral avançando consideravelmente frente ao ano anterior, quando ficou com a 78ª colocação. O desempenho reflete uma transformação que data ainda do ano 2000, quando a empresa desenhou um objetivo a ser perseguido ao longo da década, trazendo inovação para a base do processo.

Tal abordagem deu uma maior amplitude aos esforços da companhia que já teve uma área de inovação em TI estabelecida, inciativa descontinuada há algum tempo. “Não sei se isso é bom ou ruim. Abandonamos a figura, mas tornamos a inovação algo mais rotineiro”, comenta o CIO, citando que tal postura passou a ser algo embebido no processo cotidiano da empresa. No roadmap de projetos dos últimos meses surge – assim como na Tortuga – uma iniciativa de aproximação com os publicos-alvo. “Temos visto muito a Cargill atuar no mercado de alimentos. Está ligado ao agronegócio, mas é outra vertente. Temos feito muitas coisas para crescer e transformar os negócios. Nesta área, o relacionamento é mais forte porque você não tem apenas os clientes indústria”, comenta.

Outra frente toca a implantação de um sistema de gestão de portfólio (PPM, na sigla em inglês). Segundo o executivo, a tecnologia ajudará a dar uma dimensão das iniciativas dentro de um repositório único e avaliação de projeto dentro de métricas de alinhamento, retorno sobre investimento, compliance e framework tecnológico. Além disso, a companhia prevê roll out de um esforço de redesenho de sua rede global de telecomunicações, que impactará sua operação latino-americana. A Cargill também passa por uma migração de sua ferramenta de gestão, substituindo um JD Edwards por um SAP, processo que deve chegar ao Brasil nos próximos anos.

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