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100+: gestão do conhecimento na pauta do Grupo Mabel

“Não dá para fazer modismo.” A frase chama a atenção em diversos momentos durante a entrevista com José Henrique, CIO da Cipa Industrial Produtos Alimentares – Grupo Mabel. Há cinco anos na companhia, o executivo afirma que, depois de colocar a casa em ordem – atualização e mudanças em toda infraestrutura – tem sobrado tempo para pensar em projetos mais amplos e arrojados. Quanto ao modismo, ele deixa claro que não se aventura por terrenos onde não há certeza de algum retorno para a companhia e que, por cultura corporativa, um novo projeto só é iniciado quando o outro está concluído.

Os pés no chão de Henrique contribuem para a evolução do departamento de TI da empresa, que hoje vivencia a implementação de um grande projeto envolvendo gestão de conteúdo, revisitação de processos e reparametrização de sistemas. Este crescimento da área também pode ser constatado pelo histórico do grupo no estudo As 100+ Inovadoras no Uso de TI. Quando Henrique assumiu o cargo, em 2005, a companhia figurava em 59º e, hoje, sagra-se campeã da categoria indústria de bens de consumo e está listada entre os dez primeiros colocados do ranking geral.

Tudo no Grupo Mabel é mensurado. O orçamento de TI, por exemplo, cresceu 40% e está na casa dos R$ 6 milhões para este ano, mas sua execução depende de metas de vendas atingidas. Inovação está na mesma toada. Os bônus que as empresas costumam prover aos funcionários pelo desempenho, aqui, estão vinculados à apresentação de projetos que gerem resultados. E, desta forma, Henrique conduz seu time de 30 pessoas, responsáveis por gerenciar em torno de 200 contratos com fornecedores, entre suporte, telecom, infraestrutura, desenvolvimento e outros serviços de tecnologia.

“Apesar de me reportar ao CFO, tenho contato grande com presidência e ele tem fome por TI. Isto também faz com que tenhamos parceria. Em todos os grandes projetos – como do processo produtivo – o presidente e toda a direção vão até o local para entender o que ganhou de melhoria”, comenta, ao falar do trânsito que tem na empresa e também do suporte que recebe para execução de projetos.

As ideias vêm de todos os lados, seja das áreas de negócios, onde os próprios analistas da TI conseguem fazer uma interface e extrair a real necessidade das unidades, ou dos parceiros, que debatem sugestões e soluções em reuniões convocadas trimestralmente pelo CIO. Além disto, o trabalho em melhoria de processos se destaca entre os projetos. Há um esforço de mapeamento vinculado a um ideal mais amplo de gestão de conteúdo que, em pelo menos em dois anos, se converterá, inclusive, em suporte para lançamentos de produtos.

A importância da iniciativa é tamanha que três pessoas foram deslocadas exclusivamente para cuidar de processos, tendo como aliada a ferramenta de gestão de conteúdo da Totvs (ECM, da sigla em inglês). “Buscamos maior eficiência em processos e otimização de custo. Ao longo do tempo, de forma online, tentamos controlar os processos da empresa, mas precisávamos de uma revisão. Eu buscava uma forma – ferramenta e metodologia – para fazer isso. Lá fora está muito baseado em gestão de conteúdo com BPM integrado ao ERP e fazendo avaliação de análise de risco”, argumenta Henrique.

Atrelada à revisão de processos, houve ainda uma reparametrização de sistemas, com mudanças de fluxos até mesmo dentro do ERP. “Personalizamos rotinas que tinham muitas voltas, redefinimos processos, refizemos treinamento entre as áreas e os resultados são fantásticos, estamos fechando o ciclo para usar o máximo das ferramentas de trabalho”, explica.

Outra área que se beneficiará, em breve, é a linha de produção. Uma das plantas já roda o piloto que consiste na automatização da supervisão das linhas de biscoito, a partir do mapeamento de parâmetros para controle de processos. Com isso, ele ganha tempo, controle mais rígido e reduz tempo de parada das máquinas, resultado: impacto no preço final do produto. “Na linha de cream-cracker – onde roda o piloto – tivemos mais eficiência  com monitoramento online. Fizemos um sistema de passagem de produção integrando com estoque do ERP para termos um controle efetivo do que está em produção e vai para saída, é tudo processo.” Até 2012, todas as plantas de produção devem contar com essa facilidade.

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