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100+: ALL foca projetos com conceitos como redes neurais

Metáfora pertinente: a América Latina Logística (ALL) viaja como uma locomotiva, a toda velocidade, sob os trilhos da inovação. A companhia opera em um segmento peculiar de transporte e que, justamente por isto, não encontra muitos fornecedores de TI focados em suas demandas. “Aliar o nosso modelo de gestão com o que há disponível nem sempre é possível ou aderente”, contextualiza Thais Lasmar Falqueto, gerente de tecnologia da informação da empresa.

O cenário um tanto adverso serve de motor e cria condição para que a ALL fortaleça os alicerces do desenvolvimento interno de boa parte de suas soluções. Isso exige doses de criatividade e, por outro lado, gera altos níveis de inovação. De acordo com as respostas na pesquisa, a empresa aplica cerca de 20% do seu um orçamento de tecnologia – que este ano gira na casa dos R$ 18 milhões – em experimentação. Focando na liderança de TI para trazer valor aos negócios, Thaís ajuda a formular as iniciativas que buscarão agilidade e adaptabilidade corporativa em uma área vista corporativamente como centro de investimento. Os níveis de sofisticação alcançados impressionam. Não faltam iniciativas interessantes. Quer exemplos? A companhia toca projetos voltados à utilização de inteligência artificial, nanotecnologia e algoritmos de gestão de riscos. “Estamos fazendo um produto para utilizar na otimização e no planejamento da circulação de trem dentro das restrições operacionais e interferências externas”, explica a gerente. O esforço apoia-se em conceitos como o de redes neurais e conta com parceria de professores de universidades paranaenses, que ajudam na lógica de desenvolvimento desse tipo de soluções mais complexas.

Outro projeto é o assistente de condução, com previsão de ser entregue no fim de 2010. Nas palavras de Thaís, trata-se de um computador de bordo com um software que mede condição de temperatura, malha viária e tipo de carga transportada e sugere ao maquinista forma de condução para obter menor consumo de combustível e para chegar ao destino no prazo determinado. Além disso, a solução pode parar a locomotiva caso ela entre em uma área onde não lhe é permitido trafegar, evitando acidentes.

As inovações não param. A TI da ALL trabalha ainda em um projeto de detecção sônica capaz de medir falhas por meio dos ruídos emitidos pelos rolamentos da locomotiva. A previsão, diz a gerente, é que isto vire realidade em setembro. “A ideia surgiu de uma visita do nosso pessoal de operações a uma feira na Alemanha. Lá, eles viram várias alternativas e pensaram que seria possível desenvolver algo nesse sentido dentro de casa, com um preço legal”, cita. A tecnologia captura informações sonoras, as analisa para saber se aquele som é bom ou ruim para, caso necessário, enviar a máquina com defeito direto para manutenção.

Há um grupo que define projetos, tendo em mente a preocupação de desenvolver soluções que mantenham o negócio e outras que o impulsionem. O time agrupa profissionais de diversas áreas e dele faz parte, ainda, o presidente da companhia. “Viemos trabalhando a inovação com metodologias de resolução de problema, qualidade e produtividade para atingir os objetivos estratégicos. Isto em nível corporativo e multifuncional”, comenta a executiva, que acrescenta: “Com base nisto, abrimos frentes de trabalho e encontramos os pontos a atacar”. Com experiência de negócio e tecnologia, a ALL acha soluções que colocam a empresa na quinta posição no ranking geral e campeã na categoria de serviços de infraestrutura, transporte e logística de As 100+ Inovadoras no Uso de TI em 2010.

Uma parte das soluções criadas pelo time de Thaís é comercializado para outras empresas que atuam na mesma vertical em pontos espalhados pelo planeta. A companhia possui um braço independente provedor de TI batizado de ALL Tech, que vende projetos para empresas que vivem realidade parecida e encontram dificuldades para achar sistemas específicos a suas operações. Abriu-se uma oportunidade de negócios.

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