10 dicas para implementar a inovação na empresa

A transformação digital já é pauta das organizações no Brasil. Mas, elas estão realmente preparadas para internalizar e se adaptar as mudanças que vão acontecer? O estudo da EY “Maturidade das empresas na era da transformação” analisou 74 companhias para entender o interesse em incluir a inovação na estratégia, ajustar o modelo de negócios e desenvolver os talentos.

Segundo Marcelo Godinho, sócio de consultoria para gestão de pessoas da EY Brasil, companhias estão atentas ao tema, mas ainda falta conhecimento sobre o tema, espaço na agenda e preparação dos colaboradores e líderes para essa nova era.

Potencial da inovação

De acordo com o levantamento, 75% dos executivos entrevistados reconhecem o potencial disruptivo da inovação, mas apenas 28% afirmou ter um conhecimento alto do seu real impacto nos negócios. Em contrapartida, 79% dos CEOs acreditam que essa mudança deve ser encarada como uma oportunidade, embora só 27% das organizações promova uma cultura favorável à inovação.

Além disso, o estudo destaca que já faz parte do plano de mais de metade das companhias entrevistadas (51%) reduzir o quadro de funcionários nos próximos dois anos, devido à automação e 64% pretende contratar nesse contexto de inovação e transformação digital. Mas, o cenário se mostra contraditório, pois 84% das organizações não têm programas de atração de talentos e habilidades digitais e 45% delas não oferecem treinamento para desenvolver essa capacitação nos colaboradores.

Como implementar a inovação?

Diante desse cenário, a EY elaborou dez dicas para as empresas implementarem a inovação no centro dos seus negócios, a fim de que consigam mensurar os resultados e disseminem esse conceito entre os profissionais no longo prazo:

1. A tecnologia é só a superfície

O conhecimento da liderança varia entre as tecnologias e seus impactos, individualmente – com mais atenção às já comuns. Sem visão ampla, o cerne da transformação, que está nos modelos de negócios, se perde.

2. A agenda precisa se abrir

A inovação e a transformação digital ocupam pouco espaço na agenda dos líderes, como um tema colateral. O risco dessa postura é produzir ações só paliativas, que, somadas, podem só desperdiçar tempo e recursos.

3. Há novos arranjos no mercado

Adquirir uma startup revolucionária pode sufocar a inovação e até matá-la, a partir do choque contra uma cultura tradicional. Parcerias e espaços de co-criação têm mais efetividade – desde que não terceirizem a inovação.

4. O curto prazo é uma prisão

Dedicar investimentos em inovação só para reduzir custos e aumentar eficiência mantém os negócios presos ao presente. Novos concorrentes surgem e o consumidor muda o tempo todo. O centro da estratégia é se antecipar.

5. Inovação não é surto criativo

Inovar não é fruto de jovens talentosos e ociosos. É um processo que pode ser estruturado, com times dedicados e métricas de desempenho. O ideal é manter autonomia e proximidade com a estratégia e da tomada de decisões.

6. Inovação é sempre um risco

Há grandes oportunidades nas ameaças que a Era da Transformação traz. A receita para aproveitá-las e criar um ambiente inovador e aberto. Para abrir esse espaço, será preciso compreender e controlar melhor os riscos.

7. Sinal amarelo para futuros líderes

A Era da Transformação toma todos de assalto – e muitos sucessores à liderança, que foram considerados adequados, podem não ter o ritmo necessário. É preciso que desenvolvam, de forma estratégica, novas competências.

8. Novos perfis no horizonte

Cargos e funções já desaparecem, trocados por robôs e Inteligência Artificial. Pessoas, porém, seguem o principal ativo de uma empresa. Para elas, já despontam novas funções – que podem, porém, demandar outros perfis.

9. A mudança é de dentro para fora

Faltam programas de desenvolvimento adequado. Muitas vezes, a cultura é fechada à mudança. É preciso novas abordagens de capacitação e de estímulo, para “evangelizar” a todos.

10. Capacitação tradicional não basta

O modelo comum de ensino, muitas vezes, não atende à Era da Transformação. Tudo muda rapidamente. É preciso uma abordagem fragmentada, particularizada, focada em habilidades e na compreensão de “como”, não de “o quê”.

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